O jornalista também recorda que, “quando Getúlio Vargas assinou em 1943 a Consolidação das Leis do Trabalho, os ricos e muito ricos igualmente se opuseram e pela mesma razão“. E que o golpe militar de 1964 ocorreu após João Goulart promulgar a lei do 13º salário
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O jornalista Ricardo Noblat escreve, neste domingo (8/12), sobre o ódio do mercado financeiro ao Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), revelado em pesquisa da Genial-Quaest que ouviu 102 operadores no Rio e São Paulo.
Segundo o levantamento, 98% deles acreditam que a Economia irá piorar, 90% não confiam no governo e 85% são contra a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês de salário, 86% acreditam que Lula está preocupado com sua popularidade e 29%, com o equilíbrio das contas públicas.
O resultado das entrevistas, segundo o diretor da agência de pesquisa, Felipe Nunes, expressa a reação do mercado ao pacote de corte de gastos do governo apresentado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).
Noblat escreve em seu blog que a avaliação do Congresso também piorou, pois o mercado acredita que a isenção de imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil será aprovada, mas a tributação para quem ganha mais de R$ 50 mil não.
O jornalista diz que o mercado financeiro inclui gestores, economistas e analistas que detestam Lula e qualquer governante que tente promover menos desigualdade social, mesmo que os sacrifícios sejam mínimos.
Em sentido semelhante, o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores afirma, em nota postada no portal da legenda, neste sábado (7/12), que “a sociedade civil precisa manter-se vigilante” em relação às “artimanhas da Faria Lima“, pois elas visam “minar conquistas econômicas e sociais por meio da especulação”.
Ricardo Noblat lembra que no Brasil a Abolição da Escravatura “nos deu o título de último país da América Latina a acabar” com o sistema desumano pois o mercado da época também dizia que “o fim da escravidão prejudicaria a Economia“, o que o jornalista afirmou ser “uma falácia“.
O autor do texto também recorda que, “quando Getúlio Vargas assinou em 1943 a Consolidação das Leis do Trabalho, os ricos e muito ricos igualmente se opuseram e pela mesma razão, assim como se opuseram em 1962 à criação do 13º salário, reivindicação dos trabalhadores que pressionaram o Congresso por meio de greves e abaixo-assinados“.
O jornalista acrescente que “foi João Goulart, o vice que assumiu o poder depois da renúncia do presidente Jânio Quadros em 1961, que promulgou a lei do 13º salário. Dois anos depois, os militares se juntaram à direita e aos falsos liberais para derrubar Goulart, o presidente das reformas, que preferiu abandonar o país a provocar um banho de sangue“.
Noblat conclui que “o dito “mercado” não seria contra a isenção da cobrança de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil se isso fosse feito às custas de cortes de despesas com programas que atendem aos pobres e aos muito pobres“.
E que devido ao fato de o Governo Lula desejar “taxar quem tem renda superior a R$ 600 mil por ano e paga menos que isso“, então “os imexíveis querem continuar sendo imexíveis para sempre” e, por isso, “resistem a qualquer proposta que mexa com seus privilégios“.
“É a velha “luta de classes”, meu bem, por mais que a expressão amaldiçoada tenha caído em desuso“, finaliza.
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