Novo medicamento injetável brasileiro para obesidade e diabetes, produzido pela EMS e Fiocruz, promete reduzir custos e ampliar acesso, desafiando gigantes internacionais do setor
Brasília, 31 de agosto de 2025
O Ministério da Saúde, sob o comando de Alexandre Padilha, da equipe de governo do Presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), formalizou, no dia 15 de agosto, um pedido à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para priorizar o registro de canetas emagrecedoras, visando “ampliar e qualificar o acesso a tratamentos” e “reduzir a dependência tecnológica do país”.
A iniciativa busca fortalecer a produção nacional de medicamentos à base de análogos do GLP-1, como liraglutida e semaglutida, que atuam no controle de glicose e saciedade, utilizados para tratar diabetes tipo 2 e obesidade.
A medida, publicada em edital pela agência reguladora vinculada à pasta na terça-feira (26/ago), aponta para uma “concentração de mercado considerável”, conforme lembra e transcreve a Folha de S. Paulo, e riscos de falsificação e desabastecimento, justificando a urgência em diversificar a oferta.
A EMS, maior laboratório farmacêutico do Brasil, já deu um passo à frente. Em 4 de agosto, a empresa lançou as primeiras canetas emagrecedoras 100% nacionais, Olire (para obesidade) e Lirux (para diabetes tipo 2), produzidas em sua fábrica em Hortolândia, São Paulo.
Com preços 10% a 20% mais baixos que os concorrentes importados, como Ozempic e Saxenda da Novo Nordisk, o Olire custa R$ 307,26 por unidade e R$ 760,61 por um kit com três canetas, enquanto o Lirux sai por R$ 507,07 para duas unidades.
A produção utiliza uma tecnologia de síntese química de peptídeos, que, segundo a EMS, garante maior pureza e menor custo em relação às técnicas de bactérias geneticamente modificadas usadas por farmacêuticas internacionais.
Em um movimento estratégico, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) – também vinculada ao MS, com a missão de promover a saúde e o desenvolvimento social, gerar e difundir conhecimento científico e tecnológico e ser um agente da cidadania – anunciou, em 6 de agosto, uma parceria com a EMS para produzir liraglutida e semaglutida em seu laboratório Farmanguinhos (Instituto de Tecnologia em Fármacos), localizado em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, no chamado Campus Complexo Tecnológico de Medicamentos (CTM).
O acordo prevê a transferência de tecnologia para a fabricação do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) e do produto final, com potencial para fornecimento ao SUS.
Alexandre Padilha destacou que a produção pública pode viabilizar o uso dessas canetas em programas como apoio a pacientes aguardando cirurgia bariátrica, desde que estudos comprovem benefícios.
A iniciativa também mira o fim da patente da semaglutida, prevista para março de 2026, quando empresas como EMS, Biomm e Hypera Pharma planejam lançar genéricos, reduzindo ainda mais os preços.
A Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde) – órgão colegiado do MS, no entanto, rejeitou, em 20 de agosto, a incorporação de Wegovy e Saxenda ao SUS, alegando restrições orçamentárias.
Associações médicas criticaram a decisão, argumentando que a falta de acesso no sistema público fere princípios de equidade e universalidade.
Enquanto isso, a Novo Nordisk tenta estender a patente do Ozempic no STJ (Superior Tribunal de Justiça) – Corte que tem como principal missão zelar pela uniformidade de interpretações da legislação federal brasileira, mas enfrenta concorrência crescente.
A chegada do Zepbound, da Eli Lilly, ao Brasil, prevista para o segundo trimestre de 2025, intensifica a disputa. Com tirzepatida como princípio ativo, o medicamento promete uma redução média de peso de 22,9%, superando os 15,8% da semaglutida e os 6,8% da liraglutida.
A Anvisa também reforçou a segurança, exigindo, desde junho de 2025, a retenção de receita médica para a venda de análogos de GLP-1, como forma de evitar uso indiscriminado.
medida reflete a popularidade crescente dessas canetas, com Mounjaro, Ozempic e Wegovy liderando buscas no Google Trends em 2025, seguidos por Olire e Lirux.
Em 7 de fevereiro, o prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga (Republicanos), anunciou o programa Emagrecer Certo, que oferece Ozempic gratuitamente na rede pública municipal, com cadastro pelo site da prefeitura.
A iniciativa, que visa ampliar o acesso ao medicamento, está alinhada com um projeto de lei do senador Cleitinho (Republicanos), apresentado ao Congresso Nacional, para incluir semaglutida no SUS.
Alexandre Padilha foi entrevistado em 6 de agosto pelo EsferaCast – podcast do think tank Esfera Brasil, quando abordou as novas tecnologias aplicadas à saúde, com destaque para os medicamentos à base de peptídeos GLP-1, conhecidos como “canetas emagrecedoras”.
No vídeo, postado pelo canal no YouTube somente na quarta-feira (27/ago), o ministro abordou também a consolidação da tecnologia de vacinas de RNA mensageiro no país, com investimentos em instituições, visando atrair pesquisadores e empresas estrangeiras.
Padilha reforçou os desafios de reduzir a dependência de importações, promover a diplomacia em saúde e proteger empregos e a indústria nacional de medicamentos, conforme resumiu o programa.








Parabéns pela iniciativa, obesidade é saúde pública também. 👏👏👏
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