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Governo Lula adere a processo internacional que denuncia crimes em Gaza

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    Faixa de
    Faixa de Gaza – Foto de Yahya Hassouna AFP


    Brasil apoia ação da África do Sul na ONU contra Israel por acusações de genocídio no enclave



    Brasília, 14 de julho de 2025

    O Brasil anunciou oficialmente nesta segunda-feira (14/jul) sua adesão à ação movida pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça (CIJ), órgão judicial da Organização das Nações Unidas (ONU), que acusa Israel de praticar genocídio contra a população palestina na Faixa de Gaza.

    A decisão, comunicada pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, em entrevista à emissora Al-Jazeera, marca uma mudança expressiva na postura do governo brasileiro em relação ao conflito no Oriente Médio.

    Segundo Vieira, a escalada dos ataques israelenses contra civis palestinos, tanto em Gaza quanto na Cisjordânia, motivou o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a apoiar formalmente a iniciativa sul-africana como terceira parte no processo.

    A ação sul-africana, apresentada à CIJ no final de 2023, alega que Israel viola a Convenção Internacional para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio de 1948, devido às suas operações militares em Gaza, que resultaram em milhares de mortes e deslocamentos forçados.

    Um diplomata do Itamaraty, citado pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, afirmou que Israel “deixa claro que vai continuar desprezando a diplomacia, fazendo o que bem entende contra os civis palestinos“, justificando a decisão brasileira.

    A adesão do Brasil reforça a posição de outros países, como Arábia Saudita, Bolívia e Malásia, que também apoiaram a denúncia sul-africana.

    A decisão ocorre em um momento de tensões diplomáticas, especialmente com os Estados Unidos, principal aliado de Israel.

    A administração de Donald Trump, que expressa apoio incondicional ao governo israelense, pode reagir negativamente à postura brasileira, o que preocupa setores do governo que preferem priorizar negociações comerciais com os EUA.

    O Presidente Lula reuniu ministros para discutir estratégias de diálogo com Washington, indicando a complexidade do cenário diplomático.

    O ex-chanceler Celso Amorim, assessor internacional de Lula, já havia sinalizado descontentamento com a ofensiva militar de Israel, e o governo brasileiro chegou a suspender a aceitação de um novo embaixador israelense devido ao conflito.

    Além disso, a interceptação de um navio com ativistas, incluindo um brasileiro, por forças israelenses em 2025 foi classificada como crime de guerra pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos, reforçando a crítica do Brasil às ações de Israel.

    Embora as decisões da CIJ sejam vinculativas, sua execução é limitada, já que depende da cooperação dos Estados.

    A adesão do Brasil à ação sul-africana é um passo simbólico, mas significativo, que reforça o compromisso do governo Lula com a defesa dos direitos humanos e a crítica à violência no conflito Israel-Palestina.

    Contudo, o movimento pode gerar atritos internacionais, especialmente com potências ocidentais, enquanto o Brasil busca equilibrar sua posição no cenário global.



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    1 comentário em “Governo Lula adere a processo internacional que denuncia crimes em Gaza”

    1. Corretíssima a posição do governo brasileiro. Nada justifica esta violência contra o povo palestino.

    Os comentários estão fechados.

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