FOTO: O presidente chileno Gabriel Boric fala durante a Cúpula das Américas | EFE | Urbs Magna
“Acreditamos fortemente na democracia, não na exclusão”, disse o presidente do Chile, em discurso cobrando fim dos bloqueios
Em discurso feito na ocasião do encontro entre os EUA e países dos continentes relacionados à Cúpula das Américas, em Los Angeles, nos EUA, o líder chileno, Gabriel Boric, expressou sua decepção com exclusão de Cuba, Venezuela e Nicarágua do encontro e pediu o fim dos bloqueios dos EUA, sublinhando que acredita “fortemente na democracia, não na exclusão.
“Não gosto que Cuba, Venezuela e Nicarágua tenham sido excluídos, e você quer saber por quê? Porque seria muito diferente realizar uma reunião como esta, com todos os países presentes, incluindo aqueles que decidiram não participar por causa dessa exclusão, da necessidade premente de libertar os presos políticos na Nicarágua ou da importância moral e prática de acabar com ao bloqueio injusto e inaceitável dos EUA ao povo cubano“, disse o presidente do Chile, em trecho do discurso.
O presidente do extenso país localizado do outro lado da Cordilheira dos Andes também argumentou sobre “o processo de profunda mudança” e “transformação” em que seu país se encontra, que antes “teve seu quinhão de problemas“.
O “processo de mudança que nasceu com protestos sociais, no coração do nosso povo e em meio talvez a crise mais importante que tivemos nas últimas décadas” ocorre “com mais democracia, não menos“, afirmou Boric.
“Nosso Processo Constitucional, que está em andamento em nosso país“, é “democrático, com paridade de representação, participação de nossos povos indígenas, e que terminará com um referendo no dia 4 de setembro“, informou o presidente de 36 anos.
“Acreditamos fortemente na democracia, na livre troca de ideias onde – como diz a Primeira-Ministra de Barbados Mia Mottley – não é apenas um espaço onde falamos com os outros, mas realmente com eles, encontrando-nos, discutindo , convencendo uns aos outros“, afirmou sobre a forma de governar, que remete o leitor brasileiro à lembrança das pautas do ex-presidente LULA, no decorrer de sua atividade política, até os dias atuais.
“Estamos aqui para conversar, ouvir uns aos outros e, por isso, temos a mais forte convicção de que não deve haver ninguém excluído deste espaço para que ele realmente funcione“, disse Boric, cobrando, em seguida, que “todos nós precisamos estar aqui, e não estamos” referindo-se a Cuba, Venezuela e Nicarágua – excluídos pelo governo americano.
“A exclusão só incentiva o isolamento e não dá frutos, como aprendemos no passado. Para o nosso país, e quero ser explícito aqui, os direitos humanos, o respeito incondicional aos direitos humanos é uma base da civilização que sempre defenderemos, independente da convicção política do Governo que os viola”, disse Boric.
Convenção de Belém do Pará
Em seu discurso, o presidente chileno também mencionou a Convenção de Belém do Pará, cujo nome original é Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher.
Trata-se de um instrumento internacional de direitos humanos adotado pela (CIM) Comissão Interamericana de Mulheres da Organização dos Estados Americanos em uma conferência realizada na capital do estado brasileiro, em 9 de junho de 1994, no primeiro tratado internacional legalmente vinculante que criminaliza todas as formas de violência contra a mulher, em especial a violência sexual.
“Gostaria de aproveitar este encontro, esta plataforma, para convidar os poucos países que ainda não aderiram à Convenção de Belém do Pará a fazê-lo, para prevenir, erradicar e punir a violência contra a mulher, para que as mulheres em nosso continente possam viver em um espaço livre de violência“, afirmou Gabriel Boric em Los Angeles.
“Nos vemos como um governo feminista que defende os direitos humanos das mulheres, meninas e grupos dissidentes, onde quer que estejam” disse Boric na Cúpula. “Acredito que nossos acordos nesse sentido ficam aquém, infelizmente, e precisamos acelerar para avançar muito mais rápido. Senhoras e senhores, não devemos tolerar nenhum espaço em nosso continente onde a diversidade de gênero e a história sejam negadas“.
“Vamos todos tomar medidas concretas que são urgentes. Temos que avançar e incluir as mulheres em todos os círculos da política, ou seja, paridade de representação, controle sobre seus corpos e, como disse anteriormente, uma vida livre de violência“, enfatizou.
