“Viagem-manifesto por Rússia e Hungria foi um spoiler dos próximos movimentos”
“Como que o Jair não ia gostar disso?“, escreve o colunista Celso Rocha de Barros, na Folha de São Paulo, sob o título “Bolsonaro pede bênção a papai Orbán“, sobre quem diz que “foi desmontando a democracia húngara pouco a pouco” e cita feitos que provavelmente são da admiração do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PL), como “a idade de aposentadoria dos juízes da Suprema Corte” de lá, que “foi reduzida, como a bolsonarista Bia Kicis vem tentando fazer no Brasil, permitindo que Orbán enchesse o tribunal de Augustos Aras húngaros“.
E seguindo a indagação “como que o Jair não ia gostar disso“, Barros menciona também que “sem a ameaça de controle constitucional pela Suprema Corte, Orbán modificou regras eleitorais para favorecer seu partido. Destruiu a mídia independente húngara com a suspensão de propaganda oficial em veículos críticos“. O jornalista diz que aconteceu exatamente “como Bolsonaro ameaçou fazer com Folha e Globo“. Assim como, também, “a aquisição, por seus aliados, das empresas de comunicação por “Jovem Pans” húngaras“, além de que “usou extensivamente a corrupção para ameaçar empresários que não o apoiassem e para favorecer seus Véios da Havan“.
Barros prossegue dizendo que “também há fortes suspeitas de que Bolsonaro não foi visitar Putin às vésperas de uma guerra, desestabilizando a relação do Brasil com Washington, para comprar bonequinhas matrioscas. Não se deve exagerar a importância dos ataques cibernéticos russos nas vitórias do Brexit ou de Trump; mas eles ajudaram a bagunçar processos eleitorais difíceis“.
“De novo: como que o Jair não ia gostar disso?“, diz o colunista, que, enfim, encerra suas linhas afirmando que “a viagem-manifesto de Bolsonaro por Rússia e Hungria foi um spoiler dos próximos movimentos de Bolsonaro: melar a eleição e iniciar uma transição autoritária em seu segundo mandato“.
