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Proibido de usar redes sociais, Bolsonaro usava WhatsApp para falar com cerca de 400 contatos

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    O ex-presidente
    O ex-presidente Jair Bolsonaro durante julgamento no STF / Divulgação | Logotipo do WhatsApp Pines/Forbes


    Militares, pastores evangélicos, empresários e influenciadores digitais articulavam com o ex-presidente ações para obstruir o julgamento da trama golpista e pressionar por medidas antidemocráticas



    Brasília, 22 de agosto de 2025

    No centro de uma das maiores polêmicas políticas recentes no Brasil, o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, foram indiciados pela Polícia Federal (PF) pelo crime de coação no curso do processo relacionado à tentativa de golpe de Estado em 2022.

    Um relatório da PF revelou que Bolsonaro utilizava listas de transmissão no WhatsApp para se comunicar com cerca de 400 contatos, incluindo militares, pastores evangélicos, empresários e influenciadores digitais, mesmo estando proibido de usar redes sociais.

    Essa rede de contatos, segundo a investigação, era usada para articular ações que visavam obstruir o julgamento da trama golpista e pressionar por medidas antidemocráticas.

    Entre os nomes citados nas listas de transmissão estão figuras proeminentes como o pastor Silas Malafaia, líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, o bispo Abner Ferreira, da Assembleia de Deus de Madureira, o pastor Samuel Câmara, da Assembleia de Deus em Belém, o apóstolo Renê Terra Nova, do Ministério Internacional da Restauração, e o apóstolo César Augusto, fundador da Igreja Fonte da Vida.


    Além disso, personalidades como o cantor Amado Batista, o piloto Nelson Piquet e influenciadores bolsonaristas, como Bárbara Destefani, do canal Te Atualizei, e Barbara Kogos, também aparecem nos contatos.


    Essas conexões sugerem uma estratégia coordenada para mobilizar apoio e disseminar narrativas alinhadas aos interesses do ex-presidente.

    A investigação da PF aponta que Bolsonaro liderou uma suposta organização criminosa com o objetivo de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022.

    O relatório detalha que o ex-presidente tinha conhecimento de uma minuta de decreto golpista, que previa a decretação de um Estado de Defesa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a prisão de autoridades como o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a realização de novas eleições.

    Segundo a PF, Bolsonaro não apenas aprovou o documento, mas sugeriu alterações e discutiu o plano com comandantes das Forças Armadas em reuniões no Palácio da Alvorada.

    O general Marco Antônio Freire Gomes, então comandante do Exército, teria ameaçado prender Bolsonaro caso o plano fosse levado adiante, enquanto o almirante Almir Garnier Santos, da Marinha, demonstrou apoio à iniciativa.

    Além do crime de coação no curso do processo, Bolsonaro e Eduardo foram indiciados por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

    A Procuradoria-Geral da República (PGR), sob a liderança de Paulo Gonet, apresentou denúncias contra 34 pessoas, incluindo o ex-ministro Walter Braga Netto e o ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, por envolvimento na trama.

    As acusações são sustentadas por depoimentos, como o do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que confirmou a participação do ex-presidente na elaboração da minuta golpista.

    Apesar das negativas de Bolsonaro, que classificou os apoiadores que pediam intervenção militar como “malucos” e afirmou que as discussões eram constitucionais, as provas coletadas pela PF, incluindo mensagens e registros de localização, reforçam a gravidade das acusações.

    As investigações também destacam a participação de militares conhecidos como “kids pretos”, especialistas em operações especiais, que teriam planejado ações violentas, incluindo um suposto complô para assassinar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e Alexandre de Moraes.

    Entre os presos estão Mario Fernandes, Helio Ferreira Lima, Rodrigo Bezerra Azevedo e Rafael Martins de Oliveira, todos militares do Exército, além do policial federal Wladimir Matos Soares.

    Esses indivíduos integravam um grupo que planejava um “gabinete institucional de gestão da crise” para assumir o poder em dezembro de 2022.

    O julgamento no STF, sob relatoria de Alexandre de Moraes, está em andamento, com a defesa de Bolsonaro argumentando que não há provas suficientes para condenação e classificando a denúncia como “inepta”.

    No entanto, as evidências apresentadas pela PF e pela PGR, incluindo mensagens e depoimentos, continuam a alimentar o debate público.

    O caso pode marcar um precedente histórico no Brasil, ao romper com a tradição de impunidade para militares envolvidos em conspirações políticas, como destacado pelo Diário do Comércio.



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    1 comentário em “Proibido de usar redes sociais, Bolsonaro usava WhatsApp para falar com cerca de 400 contatos”

    1. NELSON OLIVEIRA DA CUNHA

      O Brasil aguarda ansioso pela condenação dessa organização criminosa!

    Os comentários estão fechados.

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