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‘Bolsonaro traiu Machões e Cornos Otimistas com a Globo’, diz Doutor em História Política

    De machões a cornos otimistas: como Bolsonaro traiu seus eleitores com a Globo – Em artigo, Raphael Silva Fagundes afirma: “O escândalo do vídeo foi mais uma estratégia para parecer que há um abismo entre a corporação midiática e o presidente”.

    Há três temas que permitem um relacionamento quase que sexual entre a maior emissora do país e o presidente que ela tanto critica: a Reforma da Previdência, a questão da Venezuela e Lula. Enquanto que no campo da moral eles estão travando uma guerra dos cem anos, no plano econômico o namorico pode gerar muitos filhos. A venda das estatais, a Reforma da Previdência, a manutenção dos juros altos, todos esses elementos, que, de fato, conduzem qualquer governo sob a égide do capital, promovem um laço amoroso entre a Globo e Bolsonaro que trai o eleitor deste último. Um adultério perfeito.

    Enganados, muitos não sabem que Bolsonaro foi eleito para pôr em prática a política econômica de Temer. Era preciso popularidade e, já que o vice golpista não a possuía, forjaram Bolsonaro.

    Esta lógica se relaciona com o desmonte da Venezuela, onde o governo de Maduro estava a caminho de promover uma política econômica que não agrada os rentistas e os investidores. Diversificar a economia venezuelana, isto é, dar subsídios a outros setores que não agradam uma burguesia já encastelada, prejudicaria os planos dos EUA no setor petrolífero do país latino-americano. A Venezuela tem uma função no sistema mundo, fornecer petróleo, assim como o Brasil deve fornecer commodites. Quem ousar mudar essa lógica deve ser eliminado.

    Bolsonaro é o político perfeito para uma emissora como a Globo. Ele faz parecer que o jornalismo praticado pela corporação é combativo, enquanto se entregam um ao outro na escuridão dos bastidores. A Globo, e todos os seus tentáculos midiáticos, fala da aproximação de Bolsonaro e de seu governo com os protestantes fundamentalistas, da postura autoritária, da questão do gênero etc., mas quando se trata da Reforma da Previdência, das privatizações e da Venezuela, a harmonia é clara.

    O cidadão, por seu turno, achando que vivemos em um intenso combate contra a corrupção (não há palavra que o excita mais) que, mal sabe de toda a traição, incorporou a figura do corno tradicional, ou são otimistas e não acreditam que foram traídos. O que nos leva a mencionar um terceiro tema que une os dois: a destruição do PT. Ou melhor, o forjamento de um alvo perfeito para que tudo que querem (o projeto Ponte para o Futuro de Temer) continue a avançar. Neste caso, Bolsonaro deixa de ser um fantoche e passa a ser o gestor do plano, o garoto propaganda, enquanto que os seus eleitores acabam se transformando em verdadeiras marionetes.

    Contudo, essa questão do PT vem desde a campanha, agora a nova etapa é ter apoio popular para aprovar projetos como a Reforma da Previdência. Construindo a imagem de que o governo está do lado certo em termos econômicos e na política contra Maduro, a Globo tenta ser mais agradável que o presidente. Isso aconteceu quando Bolsonaro elogiou Stroessner. Não faz sentido o presidente elogiar um ditador e “declarar guerra” a outro. Então, a Época, um dos tentáculos da Globo, correu para solucionar o problema: “Stroessner e suas eleições fake (uma espécie de predecessor de Nicolás Maduro)”. A Globo procurou relacionar os dois ditadores – ela sabe fazer publicidade – enquanto Bolsonaro vende a sua imagem de exaltador de ditadores anticomunistas.

    Mas a Globo não deixa de passar uma certa simpatia ao general Mourão. Ela não é tão avessa a uma ditadura assim. A questão é que, enquanto Bolsonaro lança seu discurso anticomunista (que quer dizer aqui no Brasil antipetista), ela se apoia no discurso de uma economia liberal. O trabalho sujo ficou para Bolsonaro, e a imagem deste de populista e de anticorrupção é muito útil para desfigurar a esquerda. Bolsonaro se tornou o político com maior legitimidade para falar da esquerda, por isso ele é útil para a Globo.

    Enfim, Bolsonaro permite que a Globo produza um discurso supostamente crítico e, ao mesmo tempo, ele é o único capaz de desenvolver a política econômica que a corporação defende, além de ser também o único capaz de denegrir a imagem da esquerda, objetivo complementar da Globo para facilitar seu projeto econômico de venda do país. É o casamento perfeito entre Hades e Perséfone.

    O escândalo do vídeo foi mais uma estratégia para parecer que há um abismo entre a corporação midiática e o presidente. Uma tentativa que visa manter o casamento com os seus eleitores. Ele agiu como um marido que trai a esposa e chega em casa sorridente e com flores ou ingressos para um evento. O corno otimista não resiste a esse tipo de perfumaria.

    *Raphael Silva Fagundes é doutorando do Programa de Pós-Graduação em História Política da Uerj e professor da rede municipal do Rio de Janeiro e de Itaguaí.

    Dino Barsa para o Et Urbs Magna via Revista Fórum

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    1 comentário em “‘Bolsonaro traiu Machões e Cornos Otimistas com a Globo’, diz Doutor em História Política”

    1. A armadilha em que o eleitor brasileiro caiu, elegendo um escória para presidente.

    Os comentários estão fechados.

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