Entenda os últimos acontecimentos e os motivos que levaram à decisão do STF de medidas cautelares, como tornozeleira, proibição do uso de redes sociais e recolhimento domiciliar noturno
Brasília, 18 de julho de 2025
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tornou-se alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, nesta sexta-feira (18/jul), intensificando o embate entre o bolsonarismo e as instituições brasileiras.
A ação, que resultou na imposição de medidas cautelares como o uso de tornozeleira eletrônica e recolhimento domiciliar noturno, foi classificada por aliados de Bolsonaro como uma “perseguição política”.
O caso também gerou reações de figuras como Eduardo Bolsonaro, Tarcísio de Freitas e até do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reacendendo tensões diplomáticas.
Entenda todo o contexto e o que pesa para Bolsonaro
Desde a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2022, o ex-presidente é investigado por suposta participação em uma tentativa de golpe de Estado para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A operação da PF, iniciada em novembro de 2024 com a “Operação Contra-Ataque”, apura um plano chamado “Adaga Verde e Amarela”, que incluía supostos planos de assassinato contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes.
O inquérito apontou que Bolsonaro tinha “pleno conhecimento” do esquema, segundo relatório da PF submetido ao STF em 21 de novembro de 2024.
Trump intervém
O presidente dos EUA, Donald Trump, publicou em sua rede social, Truth Social, uma mensagem classificando as investigações contra Bolsonaro como uma “caça às bruxas”.
Trump anunciou a possibilidade de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, citando supostos ataques a empresas americanas de tecnologia e a perseguição a Bolsonaro.
A medida foi interpretada como uma retaliação à atuação de Moraes, que ordenou a remoção de contas em redes sociais de apoiadores bolsonaristas por desinformação.
Racha no bolsonarismo e reação de Tarcísio
O anúncio das tarifas gerou divisões no campo bolsonarista. Eduardo Bolsonaro, deputado federal licenciado que se mudou para os EUA em março de 2025, celebrou a medida de Trump e defendeu que ela deveria pressionar o Congresso brasileiro a aprovar uma anistia para os envolvidos no 8 de janeiro e para seu pai.
Em contrapartida, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, aliado de Bolsonaro, criticou as tarifas, afirmando que prejudicariam a economia paulista.
Em reunião com Bolsonaro, Tarcísio informou que adotaria um discurso de defesa dos interesses de São Paulo, priorizando negociações com os EUA em vez de apoiar a anistia.
Eduardo Bolsonaro intensificou as críticas a Tarcísio, acusando-o de “subserviência servil às elites” e afirmando ser mais eficaz que o Itamaraty em negociações com os EUA.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, tentou mediar o conflito, defendendo Tarcísio e pedindo a Trump que reconsiderasse as tarifas, mas apagou a postagem posteriormente, reconhecendo que não tinha controle sobre o tema.
Operação da PF e medidas cautelares
Nesta sexta-feira (18/jul), a PF realizou buscas na casa de Bolsonaro e no escritório do Partido Liberal (PL) em Brasília, apreendendo um pen drive e uma cópia de uma petição contra Moraes.
Bolsonaro negou conhecimento sobre o pen drive, afirmando que perguntaria à sua esposa, Michelle Bolsonaro, sobre o item encontrado no banheiro de sua residência.
Moraes determinou que Bolsonaro use tornozeleira eletrônica, permaneça em recolhimento domiciliar noturno, evite contato com embaixadas, redes sociais e outros investigados, incluindo Eduardo Bolsonaro.
O ministro justificou as medidas como necessárias para evitar risco de fuga e interferência nas investigações.
Bolsonaro classificou as medidas como uma “suprema humilhação” e negou intenção de fugir do país, mas reconheceu que Eduardo poderia enfrentar “12 anos de cadeia” por atentar contra o Estado Democrático de Direito se retornar ao Brasil.
Investigadores descreveram a situação de Bolsonaro como “prisão domiciliar em regime semiaberto”.
O ministro do STF Cristiano Zanin convocou uma sessão para revisar a decisão de Moraes até 21 de julho.
Reações e implicações
Eduardo Bolsonaro reagiu duramente, chamando Moraes de “gângster de toga” e classificando a operação da PF como uma “invasão”. Em postagem no X, ele acusou Moraes de dobrar a aposta contra seu pai e tentar criminalizar Trump.
Tarcísio, por sua vez, saiu em defesa de Bolsonaro, criticando a “sucessão de erros” e pedindo “eleições livres” e equilíbrio para pacificar o país.
No campo internacional, Jason Miller, conselheiro de Trump, pediu que Bolsonaro “permaneça forte” e compartilhou uma postagem de Flávio Bolsonaro sobre a “humilhação proposital” imposta por Moraes.
O deputado federal Lindbergh Farias (PT) defendeu a operação, afirmando que a tornozeleira é “fundamental” para impedir uma possível fuga de Bolsonaro.
Impactos políticos e diplomáticos
A operação da PF e as medidas de Moraes intensificaram a crise entre o bolsonarismo e o STF, com reflexos na relação Brasil-EUA.
Eduardo Bolsonaro, investigado por obstrução de justiça e tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, continua articulando sanções contra Moraes nos EUA, o que complicou sua situação jurídica no Brasil.
As tarifas de Trump, inicialmente vistas como apoio ao bolsonarismo, fortaleceram o governo Lula, que ganhou apoio até de setores tradicionalmente bolsonaristas, como o agronegócio, preocupados com os prejuízos econômicos.
A operação da PF contra Jair Bolsonaro amplifica a polarização política brasileira, mas com ganho político para o Presidente Lula. As medidas cautelares impostas por Moraes, as críticas de Eduardo Bolsonaro e a defesa de Tarcísio expõem as tensões entre o bolsonarismo, o STF e o governo federal.
A intervenção de Trump e as tarifas contra o Brasil adicionam uma camada de complexidade, com impactos que vão além da política interna, afetando a economia e a diplomacia.
O julgamento do caso no STF, previsto para setembro, selará o destino de Bolsonaro.









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