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Bolsonaro “tentou contribuir para o meu assassinato”, diz Lula no Japão, após ex-presidente ter virado réu (VÍDEO)

    “Não adianta agora ele ficar fazendo bravata, dizendo que está sendo perseguido. Ele sabe o que ele cometeu” – ASSISTA E SAIBA MAIS

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    Tóquio, 27 de março de 2025

    Em entrevista para a imprensa, nesta quinta-feira (27/mar), em Tóquio, capital do Japão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou a decisão unânime da Primeira Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) que tornou réu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em uma ação que investiga uma tentativa de golpe de Estado durante as eleições de 2022.

    Questionado por um jornalista sobre suas expectativas para o cenário político brasileiro, Lula destacou a importância de um julgamento justo e baseado em provas, evitando prognósticos sobre o desfecho do processo.

    Investigação e Provas Contra Bolsonaro

    Lula enfatizou que a decisão do STF é resultado de meses de investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, com delações que apontam a participação de Bolsonaro em atos golpistas. “É visível que o ex-presidente tentou dar um golpe no país”, afirmou, citando tentativas de atentado contra sua vida, a do vice-presidente e a do então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    “É visível por todas as provas que ele tentou contribuir para o meu assassinato, para o assassinato do vice-presidente e para o assassinato do ex-presidente da Justiça Eleitoral brasileira, e todo mundo sabe o que aconteceu nesse País“, disse.

    O Presidente criticou as declarações de Bolsonaro, que alega perseguição e pede anistia antes do julgamento, interpretando isso como um reconhecimento implícito de culpa. “Prova que é inocente e vai ficar livre”, desafiou Lula.

    Impactos na Sociedade e no Congresso

    Sobre os reflexos políticos, Lula evitou previsões detalhadas, mas reconheceu a polarização na sociedade e a influência de Bolsonaro no Congresso Nacional, onde conta com significativo apoio. Ele defendeu que a Suprema Corte atue com coerência e experiência para garantir que o povo brasileiro confie no cumprimento da Justiça. “Não é o homem Bolsonaro que está sendo julgado, é um golpe de Estado”, frisou, destacando a gravidade do caso para a democracia.

    Memória do 8 de Janeiro e Presunção de Inocência

    Ao ser questionado sobre o 8 de janeiro de 2023 — data marcada pela invasão de prédios públicos em Brasília por apoiadores de Bolsonaro —, Lula reiterou que “todo mundo sabe o que aconteceu” e que o ex-presidente está ciente de suas ações. Ele também fez um paralelo com sua própria experiência, lembrando que foi impedido de concorrer às eleições de 2018, e defendeu que Bolsonaro tenha direito à presunção de inocência, algo que ele afirma não ter recebido.

    Justiça Como Prioridade

    Lula concluiu reiterando seu respeito pelo STF e sua expectativa de que o julgamento seja conduzido com base nos autos do processo, sem interferências ou discursos midiáticos. “Se ele for culpado, que seja punido. Isso vale para todos os 213 milhões de habitantes”, declarou, reforçando a necessidade de responsabilidade por atos contra a soberania nacional.


    Assista e leia as falas completas:

    JORNALISTA – Bom dia Presidente Lula. A primeira turma da Suprema Corte de Justiça do Brasil decidiu por unanimidade tornar o ex-presidente Jair Bolsonaro réu numa ação que analisa uma tentativa de golpe de Estado durante uma eleição para a qual o senhor foi eleito. Eu gostaria de saber qual a sua expectativa para o momento político no Brasil durante o decorrer dessa ação, em termos de sociedade e em termos de Congresso Nacional, onde o ex-presidente tem um número considerável de apoiadores. Queria saber também o que espera desse julgamento e o que vem à sua mente quando se fala no 08/01.

    Presidente Lula – Olha, primeiro, seria presunção minha fazer qualquer prognóstico sobre a decisão da Suprema Corte brasileira. Acho que o que é correto é que a Suprema Corte está se baseando e se manifestando nos autos do processo, depois de meses e meses de investigação muito bem feita pela Polícia Federal, muito bem feita pelo Ministério Público e com muita delação de gente importante que está acusando o que tentou acontecer no Brasil.

    É visível que o ex-presidente tentou dar um golpe no país. É visível por todas as provas que ele tentou contribuir para o meu assassinato, para o assassinato do vice-presidente e para o assassinato do ex-presidente da Justiça Eleitoral brasileira, e todo mundo sabe o que aconteceu nesse país. Não adianta agora ele ficar fazendo bravata, dizendo que está sendo perseguido. Ele sabe o que ele cometeu. Só ele sabe. Somente ele sabe o que fez e que não foi correto. Não adianta ficar pedindo anistia antes do julgamento. Quando ele pede anistia antes do julgamento, significa que ele está dizendo que foi culpado. Ele deveria provar a inocência dele, porque não precisava pedir anistia.

    Prova que é inocente e vai ficar livre e acabou. Agora, como ele não tem como provar que é inocente, como não tem como provar que não tentou dar golpe, ele fica tentando fazer provocação ainda na sociedade brasileira. Eu só espero que a Justiça faça justiça. Se nos autos do processo ele for inocente, que seja inocentado. Se ele for culpado, que seja punido. Eu, inclusive, defendo que ele tenha a presunção de inocência que eu não tive. Quando ele fala que quer que o impeçam de disputar a eleição, é importante lembrar que eu fui proibido de disputar as eleições em 2018. É importante lembrar.

    Então, eu só espero que se faça justiça. Eu não dou palpite, não conheço os autos do processo. Eu espero que a Suprema Corte vote, sabe, com a coerência de uma Suprema Corte calejada e experiente, porque o povo brasileiro precisa, inclusive, saber que a Suprema Corte está cumprindo com o seu papel. E todo mundo sabe o que aconteceu no Brasil. Todo mundo sabe, e ele também sabe. Eu, toda vez que alguém comete um erro, pergunto: olha, só você sabe se é verdade ou mentira. E ele sabe que é verdade. Ele sabe que é verdade.

    Então, eu espero que a Suprema Corte faça o julgamento que precisa ser feito e que tome a decisão em função dos autos do processo. Eu não acho que ministros têm que falar para a imprensa, que têm que fazer discurso. Eu acho que têm que votar. Não é o homem Bolsonaro que está sendo julgado, é um golpe de Estado que está sendo julgado, é a conduta desse cidadão que está sendo julgada. Então, eu penso que se ele tiver culpado, ele tem que se contentar com a punição. Isso vale para todos os 213.000.000 de habitantes. Então, ao invés de chorar, caia na realidade e saiba que você cometeu um atentado contra a soberania desse país. É isso.

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