“Mas o que esperar de uma pessoa que prefere abrir um clube de tiro a uma biblioteca?”, afirmou o cantor ao diário de notícias inglês
“A regressão a que fomos submetidos é impressionante. Mas o que esperar de uma pessoa que prefere abrir um clube de tiro a uma biblioteca?” diz Gilberto Gil ao The Guardian.
“É uma visão de mundo retrógrada, reacionária, que se opõe a qualquer tipo de avanço, que não quer viver na agilidade do futuro e nos desafios permanentes que isso implica”, prosseguiu no diário de notícias inglês, que dedicou uma longa matéria ao cantor brasileiro, destacando sua passagem pelo Ministério da Cultura, no governo LULA, em 2003.
Gilberto Gil disse ao TG que o desmatamento da Amazônia, incentivado por Bolsonaro, é “uma enorme depreciação da imagem do Brasil para o mundo. É como se estivéssemos nos descivilizando”.
Ele afirmou, também, ao jornal, que o assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips foi “um crime bárbaro” e descreveu-os como “dois importantes agentes na luta pela preservação de nossas riquezas naturais e pela viabilidade de um futuro de relações ambientais mais justas e equilibradas”. Gil acrescentou que “um sentimento de luto fortalece a luta”.
O cantor disse que “a Tropicália [movimento cultural brasileiro da década de 60 que ele liderou com outros artistas]” estava muito em sintonia com o zeitgeist [conjunto do clima intelectual e cultural do mundo, numa certa época] do final dos anos 60: a luta dos alunos, as mudanças de costumes, as rupturas. Esse pano de fundo tem muitas semelhanças com o momento atual – talvez por isso a tropicália ainda pareça tão atual.”
