O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, em foto de Evaristo Sá/AFP, e o ex-presidente LULA, favorito com ampla vantagem na corrida ao Palácio do Planalto. Ao fundo, a bandeira do PT sobre desenho do prédio onde se situam o gabinete do Presidente da República, a Casa Civil, a Secretaria-Geral e o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República | Sobreposição de imagens
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PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO
Quanto a entregar a faixa presidencial ao ex-presidente, não há escapatória, mas o atual ocupante do Palácio do Planalto pode imitar duas vezes seu ex-ídolo Donald Trump: não conseguir um segundo mandato consecutivo e não comparecer à posse do sucessor
“Com cara enfezada e fala dirigida unicamente aos seus devotos fiéis, o presidente Jair Bolsonaro apresentou-se aos brasileiros no último dia de 2021 para desejar-lhes um feliz ano novo“, escreve o jornalista Ricardo Noblat em matéria no portal de notícias Metrópoles, intitulada ‘Para uma derrota certa e humilhante, Bolsonaro não irá – Ele tem mais três ou quatro meses pela frente para decidir o seu destino‘.
Mas o colunista não argumentou sobre a entrega da faixa presidencial a seu declarado inimigo ‘comunista’, o que não teria escapatória, a não ser que ele imitasse, duas vezes, o que ocorreu com seu ex-ídolo, Donald Trump.
No script americano, a derrota para Joe Biden impôs a ausência da dobradinha de dois mandatos presidenciais na Casa Branca e aqui, caso Bolsonaro decida tentar se reeleger, seria a primeira vez que um presidente brasileiro não conseguiria seu segundo mandato consecutivo. A boa opção seria anunciar, como fez Trump, o não comparecimento à posse do sucessor.
“A ocasião [em que Bolsonaro fez seu pronunciamento, nesta sexta-feira (31/12), a poucas horas do encerramento do trágico ano de 2021,] pedia que ele manifestasse compaixão pelas vítimas da pandemia da Covid-19 e despertasse em seus familiares a esperança em dias melhores, mas não foi o que aconteceu“, prosseguiu Noblat.
“Bolsonaro estava tenso e irritado“, avalia o jornalista. “Deu por esgotada sua recente versão de Jairzinho paz e amor e reconciliou-se com a outra que sempre lhe caiu muito bem – a do presidente criador de casos. Não de bons casos, mas de maus. O presidente é um fabricante de crises que não sabe viver em relativa paz. Se o modelo de fato servisse aos seus propósitos, poderia dar-se bem ao fim e ao cabo“, escreve o colunista em avaliação que certamente tem o aval de todos os seus leitores.
Noblat lembra de coisas óbvias na política, mas que são ausentes no presidente: “O exercício do poder exige a delicada e penosa construção de maiorias sem as quais nada é possível. Se não for capaz de ampliar o contingente dos que ainda o apoiam, onde Bolsonaro pensa que chegará? Parte dos seus seguidores, convencida de que ele não se reelegerá, o largará de mão“.
“Cresce entre seus aliados dentro e fora do governo a impressão de que ele começa a examinar a hipótese de abdicar da reeleição, disputando uma vaga ao Senado ou recolhendo-se à sua casa”, avalia o jornalista, a partir do comportamento de um Bolsonaro derrotado, ontem no pronunciamento.
Conclusivamente, Noblat afirma que “para uma derrota certa e humilhante, ele não irá” e que só lhe restam mais “mais três ou quatros meses pela frente para decidir o seu destino“.
