PGR deverá apresentar denúncias antes, para evitar acusações de tentativa de influenciar o pleito. O inelegível é alvo de pelo menos cinco inquéritos que tramitam no STF
A PF (Polícia Federal) corre contra o tempo para concluir os inquéritos que investigam supostos crimes praticados pelo ex-presidente inelegível Jair Bolsonaro (PL) e pode enviar à PGR (Procuradoria-Geral da República) relatórios dos casos ainda no próximo mês de julho, antes das eleições municipais.
Caso a conclusão seja por denunciar Bolsonaro, a PGR não deverá apresentar as peças depois, para evitar acusações de tentativa de influenciar o pleito. Segundo listou o jornal ‘O Globo‘, o inelegível é alvo de pelo menos cinco inquéritos que tramitam no STF (Supremo Tribunal Federal).
O das milícias digitais é um dos principais deles, pois engloba diversas frentes que vão além da apuração sobre a suposta tentativa de golpe de Estado, como a investigação de uma possível fraude no cartão de vacinação contra a Covid-19 e a suspeita de venda e recompra de joias recebidas em viagens oficiais.
Conforme lembra o texto, esse inquérito foi aberto em julho de 2021 para investigar a produção e a disseminação de conteúdos que atacam as instituições democráticas nas redes sociais. Em março, o ministro do STF, Alexandre de Moraes, atendeu a um pedido da PF e prorrogou, pela décima vez, o prazo de sua conclusão. Desta vez por mais seis meses, indo até setembro.
Na decisão, Moraes afirmou que o inquérito foi instaurado devido à “presença de fortes indícios e significativas provas apontando a existência de uma verdadeira organização criminosa, de forte atuação digital” com “nítida finalidade de atentar contra a Democracia e o Estado de Direito”.
Na investigação que apura a suposta fraude nos dados do Ministério da Saúde referente à Covid-19, Bolsonaro e outras 16 pessoas já foram indiciadas pelos crimes de associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informação, em março.
Na ocasião, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, solicitou mais diligências por ter entendido ser necessário esclarecer se o ex-presidente e os demais investigados utilizaram os certificados falsos para entrar e permanecer nos EUA, para onde viajaram no fim do mandato.
O ex-presidente também figura como investigado no esquema dos presentes, entre eles joias de alto valor, supostamente negociados por alguns de seus aliados. A expectativa é que essa apuração seja a primeira a ser concluída, nos próximos dias, já que um agente e um delegado da PF acabaram de retornar dos Estados Unidos, onde colheram depoimentos de comerciantes e tiveram acesso a imagens de câmeras de segurança e a documentos, como notas fiscais e movimentações financeiras.
Com a cooperação internacional do FBI, os policiais realizaram diligências em cidades como Miami, Wilson Grove (Pensilvânia) e Nova York. Auxiliares de Bolsonaro venderam ou tentaram comercializar ao menos quatro itens, sendo dois entregues pela Arábia Saudita e mais dois pelo Bahrein. Entre os presentes, estão relógios das marcas Rolex e Patek Phillipe, para a empresa Precision Watches, no valor total de US$ 68 mil, o que corresponde na cotação da época a R$ 346.983,60.
Outra investigação aberta que também está em vias de ser encaminhada à PGR é a que trata da suposta tentativa de golpe de Estado, em que núcleos teriam atuado para disseminar a ocorrência de fraude nas eleições presidenciais de 2022, antes mesmo da realização do pleito, de modo a viabilizar e legitimar intervenção militar, em dinâmica de milícia digital.
Para os investigadores, há “dados que comprovam” que Bolsonaro “analisou e alterou uma minuta de decreto que, tudo indica, embasaria a consumação do golpe de Estado em andamento”.
