A direita conservadora de São Paulo se articula em Brasília para consolidar poder, enquanto a esquerda enfrenta desafios para reagir à ofensiva bolsonarista
Brasília, 28 de setembro de 2025
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) planeja se reunir com o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nesta segunda-feira (29/set) em Brasília para costurar uma chapa reacionária ao Senado Federal nas eleições de 2026.
A articulação, revelada pelo jornalista Gustavo Uribe em CNN Brasil, expõe a tentativa de Bolsonaro de manter sua influência no maior colégio eleitoral do país, mesmo sob o peso de investigações judiciais.
A viagem de Tarcísio, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes (STF), conforme noticiado por Caio Junqueira na mesma emissora, evidencia a dependência do governador ao aval judicial para alinhar-se ao projeto bolsonarista.
A estratégia de Bolsonaro, orquestrada ao lado do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, busca monopolizar o Senado paulista com nomes que reforcem a agenda ultraconservadora.
Com a ausência prolongada do deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, fugindo de investigações, a direita abriu uma disputa interna por espaço.
O secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP), pupilo de Tarcísio, surge como favorito para uma das vagas.
Para a segunda cadeira, o PL avalia figuras como os deputados Marcos Feliciano (PL) e Cezinha Madureira (PSD), ou até o vice-prefeito Ricardo Mello Araújo (PL), numa clara tentativa de consolidar um bloco retrógrado que amplifique o discurso de ódio e a polarização no estado.
A segunda vaga segue em aberto, com Bolsonaro e Tarcísio negociando nomes que garantam lealdade ao projeto bolsonarista.
Enquanto isso, a esquerda, liderada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ainda patina na escolha de candidatos competitivos, como Fernando Haddad (PT) ou Simone Tebet (MDB), para enfrentar a ofensiva da direita.
A demora do campo progressista em se organizar, como apontado pela Folha de S. Paulo em dezembro, expõe a fragilidade diante de uma direita que opera com precisão cirúrgica.
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O histórico dessa aliança revela a ambição de Bolsonaro em dominar o Senado, essencial para pressionar por pautas como a anistia aos golpistas do 8 de janeiro de 2023, apesar de Tarcísio negar publicamente discutir o tema.
“Não falaremos da chapa presidencial de 2026 nem do PL da Anistia”, afirmou, ainda que essa retórica bolsonarista já ecoasse em outubro de 2024, quando o ex-presidente declarou em live que “o Senado em São Paulo é meu e do Tarcísio”, conforme registrado pelo Poder360.
Acordos prévios, revelados por Igor Gadelha no Metrópoles em abril, já sinalizavam a dobradinha Eduardo–Derrite, um claro sinal de continuidade do autoritarismo.
A articulação também reflete as tensões no campo da direita. O Centrão, representado por figuras como Gilberto Kassab (PSD) e seu aliado Ratinho Junior, resiste à hegemonia de Bolsonaro, enquanto especulações sobre uma chapa Tarcísio–Michelle Bolsonaro para 2026, negada pelo governador, foram alimentadas por Flávio Bolsonaro (PL) em postagem recente: “Tarcísio é preparadíssimo, estaremos juntos”.
A possível migração de Derrite ao PP, para acomodar Ciro Nogueira como vice em cenários nacionais evidencia o pragmatismo oportunista da direita.
Enquanto a esquerda enfrenta dificuldades para unificar candidaturas e combater a narrativa bolsonarista, a reunião em Brasília pode consolidar uma chapa que ameaça o equilíbrio democrático no Senado.
A Gazeta do Povo alertou em maio que a prioridade da direita é recuperar influência institucional, visando pautas antidemocráticas.
Para os progressistas, o desafio é urgente: articular nomes como Haddad ou Tebet e mobilizar São Paulo contra o avanço de uma chapa que representa o retrocesso e a polarização.
A reunião de amanhã será um termômetro da capacidade da esquerda em reagir a essa ofensiva conservadora.







