Bolsonaro passa em revista a guarda durante durante cerimônia de promoção de graduados do Quadro Especial de Sargentos (QESA) da Força Aerea, em Brasília | Adriano Machado | Reuters
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PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO
“Se Jair vencer a eleição, fechará o STF”, acrescenta Celso Rocha Barros, em texto picantemente crítico, na Folha
O sociólogo Celso Rocha de Barros afirma, em texto publicado na Folha de S. Paulo neste domingo (24/4), que o presidente Jair Bolsonaro (PL) “solta bandidagem” para um “golpe da derrota” e que, ao se confirmar a vitória de LULA em outrubro, o presidente “fugirá do pais“. Caso vença, ele “fechará o STF“, escreve em artigo recheado de críticas picantes também aos aliados do governo, sobre quem diz que, “para continuar roubando, os piores ladrões do Congresso” o apoiam “contra o STF“.
Barros diz que “com medo de perder, Bolsonaro já começou a soltar bandidos da cadeia para organizar o golpe da derrota” e lembra que a última pesquisa do Ipespe mostra que a “vantagem de LULA … no segundo turno está em 20 pontos percentuais“.
Bolsonaro “é o mandante do crime que perdoou o extremista Daniel Silveira“, afirma o sociólogo, acrescentando que o parlamentar “ameaçou o STF porque é isso que o presidente da República manda seus militantes fazerem todo dia“. Depois, Barros lembra que “o governo já pensa em perdoar Osvaldo Eustáquio (…) e Roberto Jefferson“.
Segundo o sociólogo, atacar instituições democráticas “é a tendência internacional dos novos autoritários da Venezuela, da Hungria, da Polônia: se você aparelhar o STF, tudo o que você fizer será declarado constitucional“.
Por este motivo, o autor do texto também lembra que “o STF tentou parar o orçamento secreto“, e explica que é um esquema de R$ 16 bilhões que beneficia deputados que votam a favor do governo“. Para Barros, este estaria entre os principais motivos que impulsionam os ataques de Bolsonaro.
O sociólogo recorda a declaração “do bolsonarista Arthur Lira” de que “não era possível revelar os dados sobre quem ganhou, quanto ganhou, com que justificativa ganhou, como o STF havia exigido“.
“Nenhum presidente até hoje havia perdoado um aliado político condenado“, escreve Barros, confirmando que membros da Corte avaliaram como “surreal” a concessão da graça, ou indulto individual ao réu.
Para o sociólogo, “a decisão de Bolsonaro será revertida e ele terá conseguido passar alguns dias sem que falemos da miséria em que vivem e morrem os brasileiros sob seu governo“.
“Assim como Adolf Hitler é o único ser humano que pode se orgulhar de ter matado Adolf Hitler, Jair Bolsonaro é o único brasileiro com poder que pode se orgulhar de ter exposto Jair Bolsonaro como golpista“, diz Barros. “O sistema passou o tempo todo mentindo que Jair era um democrata. Mas Jair persistiu como whistleblower [denunciante]do próprio golpismo.
Barros explica que a partir de agora “o Judiciário tem poder para dificultar muito a vida” de Bolsonaro. Mas ele “não pretende conviver com o STF por muito tempo. Se Jair perder a eleição e o golpe da derrota fracassar, ele fugirá do país. Se Jair vencer a eleição, fechará o STF”.
