As provas estão na CPI em forma de telegramas que o Itamaraty enviou para a Índia e os Estados Unidos mesmo após a ciência considerar a droga ineficaz
O governo federal, representado pelo presidente Jair Bolsonaro, atuou pela aquisição de insumos para a produção de hidroxicloroquina no exterior em pelo menos 84 vezes durante a pandemia, revelam telegramas do Itamaraty endereçados em sua maior parte à Índia, mas também aos EUA, que estão em poder da CPI da Covid, os quais tinham por objetivo assegurar matéria-prima para a produção da droga ineficaz contra o novo coronavírus por empresas brasileiras. Os documentos foram obtidos pelo jornal O Globo e provam que houve empenho mesmo após estudos científicos descartarem o uso do medicamento.
A atuação do governo foi simultânea a um aumento exponencial da produção de cloroquina pelo Laboratório Químico e Farmacêutico do Exército (LQFex), suficiente para atender à demanda daquela época e que gerou um estoque que ainda não foi utilizado, diz a matéria do jornal.
Bolsonaro chegou a falar diretamente com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, em abril do ano passado. No telefonema, o presidente intercedeu em nome de empresas brasileiras, pedindo que a Índia liberasse a exportação dos produtos, quando a Índia havia restringido as regras de exportação da droga, além de outros medicamentos.
Um dia antes, Ernesto Araújo contatou o governo indiano e pediu a intervenção de seu chanceler por “razões humanitárias” e destacando a “amizade mútua e a parceria estratégica” entre os países. Meses depois, no entanto, o governo rejeitou proposta que vinha sendo negociada.

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