
Carlos Almeida Baptista Junior e Bolsonaro – Fátima Meira/Folhapress
Depoimento à PF e STF revela tentativas de desacreditar eleições de 2022 e preparar terreno para golpe – SAIBA MAIS
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Brasília, 21 de maio de 2025
O ex-presidente Jair Bolsonaro foi informado que não havia fraudes nas eleições de 2022, mas pressionou para adiar a divulgação de um relatório das Forças Armadas que confirmava a segurança das urnas eletrônicas, segundo depoimento do ex-comandante da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista Júnior, à 1ª Turma do STF.
Em sua fala, Baptista Júnior afirmou que Bolsonaro tinha ciência da lisura do processo eleitoral, mas insistiu em postergar o documento para sustentar narrativas de irregularidades, visando deslegitimar o resultado que deu vitória a Luiz Inácio Lula da Silva.
A estratégia, segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), fazia parte de um plano para criar um ambiente propício a uma tentativa de golpe de Estado, conforme reposta o g1.
A investigação da Polícia Federal (PF) revelou que Bolsonaro e aliados, como Valdemar Costa Neto, presidente do PL, sabiam que as alegações de fraude eram falsas, mas as propagaram para incitar a população contra o resultado eleitoral.
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Um relatório encomendado pelo PL, produzido pelo Instituto Voto Legal (IVL), apontou inconsistências inexistentes em urnas anteriores a 2020, mesmo após a constatação de que os equipamentos eram auditáveis e seguros.
A PF destaca que a disseminação de fake news tinha o objetivo de mobilizar apoiadores para manifestações em frente a quartéis, criando um cenário favorável à ruptura institucional.
O tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, confirmou em delação premiada que o ex-presidente pressionou o então ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, para incluir no relatório militar alegações de fraude, mesmo sem evidências.
Cid admitiu que o grupo não encontrou irregularidades concretas, mas a narrativa de fraude foi mantida com propósitos políticos.
A PGR aponta que Bolsonaro e aliados, como o general Augusto Heleno, usaram lives, como uma em 4 de novembro de 2022, para espalhar desinformação e estimular a insurreição.
O relatório das Forças Armadas, enviado ao TSE em 9 de novembro de 2022, não apontou fraudes, mas o Ministério da Defesa publicou nota sugerindo possíveis “códigos maliciosos” nas urnas, sem evidências, para manter a desconfiança pública.
Essa narrativa foi reforçada por influenciadores como o argentino Fernando Cerimedo, que divulgou um dossiê apócrifo com falsas alegações de fraude.
A PGR conclui que as ações de Bolsonaro e seu grupo visavam desestabilizar a democracia, com a PF reunindo indícios de crimes como organização criminosa e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.












