Provável futuro condenado pode se tornar o primeiro ex-presidente preso por tentativa de golpe de Estado
Brasília, 25 de agosto de 2025
O ex-presidente Jair Bolsonaro tornou-se o primeiro ex-mandatário do país a ser réu por tentativa de golpe de Estado, com prisão domiciliar decretada em 4 de agosto pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A medida foi tomada após Bolsonaro descumprir restrições judiciais impostas no âmbito de uma investigação sobre uma suposta trama golpista para subverter os resultados das eleições de 2022, vencidas por Luiz Inácio Lula da Silva.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), liderada por Paulo Gonet, recomendou recentemente o aumento da vigilância sobre o ex-presidente, citando o risco de fuga, o que intensifica a pressão sobre o caso que pode culminar na primeira condenação de um ex-presidente por tentativa de golpe desde a Proclamação da República em 1889.
A PGR baseou sua recomendação em evidências de que Bolsonaro planejou deixar o Brasil para evitar uma possível prisão. Segundo a Polícia Federal, em dezembro de 2022, nos últimos dias de seu mandato, o ex-presidente viajou aos Estados Unidos, retornando apenas em março de 2023.
Um relatório policial, tornado público por Alexandre de Moraes em 26 de novembro de 2024, revelou que Bolsonaro elaborou um plano de fuga em 2021, adaptado após o fracasso de uma tentativa de golpe em 2022.
“O plano de fuga foi adaptado e usado no final de 2022, quando a organização criminosa não conseguiu realizar o golpe de Estado”, aponta o documento.
Entre as estratégias, estava a solicitação de asilo político ao governo do presidente Javier Milei, da Argentina, conforme mensagens encontradas em seu celular, incluindo um rascunho de carta datado de 10 de fevereiro de 2024, onde Bolsonaro alegava sofrer “perseguição política no Brasil” e temer por sua vida.
Além disso, a Polícia Federal acusou Bolsonaro e seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, de obstrução de justiça, após mensagens revelarem tentativas de influenciar o ex-presidente Donald Trump a interferir no processo judicial brasileiro, incluindo a imposição de tarifas de 50% sobre exportações brasileiras.
“Você não terá tempo de reverter a situação se o cara aqui virar as costas para você”, disse Eduardo ao pai, em referência à influência de Trump.
Essas ações levaram o STF a impor medidas mais rígidas, como o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de contato com embaixadas e suspensão de acesso às redes sociais de Bolsonaro.
O julgamento, que envolve Bolsonaro e outros 33 réus, incluindo os ex-ministros Walter Braga Netto e Augusto Heleno, está marcado para ocorrer entre 2 e 12 de setembro, em sessões extraordinárias convocadas pelo ministro Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do STF.
As acusações incluem tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado de Direito e organização criminosa, com penas que podem chegar a 40 anos de prisão.
“Bolsonaro liderou uma conspiração armada contra as instituições democráticas”, afirmou Paulo Gonet, destacando a gravidade do caso.
A defesa de Bolsonaro, por sua vez, nega as acusações, alegando ausência de provas e caracterizando o processo como “perseguição política”.
Enquanto o caso avança, Bolsonaro permanece em prisão domiciliar em Brasília, onde está proibido de viajar e sujeito a um toque de recolher.
A possibilidade de fuga continua a preocupar as autoridades, especialmente após o ex-presidente ter passado duas noites na embaixada da Hungria em fevereiro de 2024, o que levantou suspeitas de tentativa de evitar prisão.
Apesar de Bolsonaro afirmar que “nunca pensou em deixar o Brasil”, as evidências apresentadas pela Polícia Federal sugerem o contrário, intensificando a vigilância.
O caso tem gerado grande repercussão, com milhares de apoiadores de Bolsonaro protestando em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, pedindo anistia para ele e outros envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores invadiram o Congresso Nacional, o STF e o Palácio do Planalto.
A tensão política também escalou com a intervenção de Donald Trump, que criticou o processo como “caça às bruxas” e impôs sanções comerciais ao Brasil, gerando reações de líderes brasileiros, incluindo Lula, que condenou a interferência estrangeira.
“A justiça é igual para todos”, declarou Alexandre de Moraes, reforçando a independência do Judiciário brasileiro.








Essa coisa nefasta do Bozo, ja era pra está preso na carceragem da Polícia Federal, pra a justiça não está preocupada com fuga desse traste.
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