Medida de vigilância intensificada reflete temor de que o ex-presidente tente escapar da prisão domiciliar antes do julgamento por tentativa de golpe
Brasília, 30 de agosto de 2025
A Polícia Federal (PF) intensificou a vigilância sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, em prisão domiciliar desde 4 de agosto, devido ao receio de que ele possa tentar fugir escalando o muro para a casa de um vizinho no condomínio Solar de Brasília, onde reside.
A preocupação foi formalizada em um ofício enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, na última terça-feira (26/ago).
A medida busca garantir o cumprimento das restrições impostas ao ex-mandatário, que enfrenta julgamento pela suposta tentativa de golpe de Estado em 2022, marcado para 2 de setembro.
Imagens aéreas analisadas pela PF indicam que Bolsonaro poderia acessar facilmente residências vizinhas, o que facilitaria uma fuga para locais como a Embaixada dos Estados Unidos, situada a apenas dez minutos do condomínio.
“Uma vez na casa de algum vizinho, Bolsonaro poderia entrar em um carro, se abaixar dentro dele e sair escondido pela portaria, já que os automóveis não estão sendo revistados”, aponta o relatório da PF, conforme mostra a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.
A tornozeleira eletrônica, embora monitore seus movimentos, não seria suficiente para impedir uma evasão rápida, especialmente devido à possível falha na conexão de internet, que poderia atrasar a detecção de violações.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), sob comando de Paulo Gonet, reconheceu o “risco concreto de fuga”, mas se posicionou contra a presença de policiais dentro da residência de Bolsonaro, considerando a prisão domiciliar e a vigilância externa suficientes.
“Não se aponta situação crítica de segurança no interior da casa”, afirmou Gonet em documento enviado ao STF na sexta-feira (29/ago).
Ele sugeriu, no entanto, que Bolsonaro mantenha os acessos livres de obstruções para facilitar eventuais ações policiais.
O pedido de reforço na segurança foi motivado por informações enviadas pelo líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, que alertou sobre um possível plano de fuga.
Investigações recentes da PF encontraram no celular de Bolsonaro uma minuta de pedido de asilo político à Argentina, datada de fevereiro de 2024, além de registros de sua estadia na Embaixada da Hungria no mesmo período, o que reforça os temores de evasão.
A proximidade do julgamento e a atuação de Eduardo Bolsonaro, que, segundo o STF, tentou pressionar autoridades judiciais, também aumentam a preocupação.
A vigilância no Solar de Brasília é conduzida pela Polícia Penal do Distrito Federal de forma discreta, com agentes posicionados na entrada do condomínio e em rondas, sem causar transtornos à vizinhança, conforme determinado pelo ministro Alexandre de Moraes.
No entanto, a possibilidade de agentes dentro da casa de Bolsonaro ainda aguarda decisão final de Moraes, que não é obrigado a seguir a recomendação da PGR.
Os moradores do condomínio relatam transtornos, como engarrafamentos e a presença de jornalistas e manifestantes, o que gera temor de um novo “8 de janeiro”, referência aos atos golpistas de 2023.
“Se esse povo vier protestar aqui, é um erro”, disse uma moradora no grupo de WhatsApp do condomínio, conforme reportado pelo O Tempo.
Apesar disso, a direção do Solar de Brasília negou pedidos de expulsão de Bolsonaro, considerando a medida “atípica”.








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