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Bolsonaro ainda não leu nada desde pedido de remição de pena feito há 12 dias, relata PMDF a Moraes

    Cada livro lido representaria menos quatro dias; isso quer dizer que o ex-presidente condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de estado precisaria ler mais de 2,4 mil livros para zerar pena? Entenda

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    Bolsonaro quando
    Bolsonaro quando deputado federal Foto Agência Brasil

    RESUMO
     
     


    Brasília (DF) · 30 de janeiro de 2026

    Um relatório minucioso da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), delineia uma rotina marcada por atividades físicas e cuidados de saúde, mas desprovida de qualquer iniciativa de remição por leitura.

    O documento, que abrange o período de 15 a 27 de janeiro, revela que Bolsonaro acumulou mais de cinco horas de caminhadas supervisionadas na unidade conhecida como Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília, mas não folheou um único livro para abater sua sentença de 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado.

    De acordo com o relatório, obtido por fontes como O Globo, Bolsonaro solicitou adesão ao programa de remição por leitura, autorizado por Moraes em 15 de janeiro, mas não registrou nenhuma atividade nesse sentido durante os 13 dias analisados.

    Em todos os registros diários, a PMDF assinalou que “não houve” leitura com fins de remição, assim como ausência de atividades laborais.

    Essa omissão contrasta com o potencial do programa, que permite abater até quatro dias de pena por livro lido e validado, conforme detalhado pelo g1.

    Calculando o impacto hipotético: com uma pena total aproximada de 9.945 dias (considerando 27 anos a 365 dias cada, mais 90 dias para três meses, sem ajustes por bissextos), Bolsonaro precisaria ler pelo menos 2.487 livros para zerar a sentença integralmente via remição por leitura – uma façanha que demandaria décadas, dada a limitação anual. Mas não é assim que funciona.

    No Distrito Federal, o limite é de 11 livros por ano, resultando em no máximo 44 dias de redução anual, mais restritivo que a norma nacional do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que permite 12 obras e 48 dias.

    O programa, coordenado pela Secretaria de Educação do Distrito Federal em parceria com a Secretaria de Administração Penitenciária (Seape), exige que o detento leia obras da lista oficial – selecionadas por professores de português para evitar conteúdos que promovam violência ou discriminação – e elabore um relatório em até 30 dias, avaliado por critérios como estética textual, fidelidade ao autor e clareza.

    A avaliação cabe a uma comissão de 22 professores de língua portuguesa, com um por unidade prisional para logística e uma equipe de validação no Centro de Ensino 01 (CED 01).

    Além da inatividade em leituras, o relatório da PF sobre o presidiário destaca atendimentos médicos quase todo dia, com monitoramento de sinais vitais por profissionais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal e médicos particulares.

    Sessões de fisioterapia ocorreram em vários dias, e as caminhadas – registradas em seis ocasiões, totalizando 5 horas e 7 minutos – foram realizadas em horários controlados.

    Visitas incluíram encontros com advogados, durando de minutos a mais de duas horas, e familiares como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o vereador Carlos Bolsonaro, em datas pré-definidas.

    Assistência religiosa foi pontual, com a presença de um pastor em dois dias, sem menção a programas educacionais ou trabalho interno.

    O documento, elaborado em resposta a determinação de Moraes datada de segunda-feira (26/jan), afirma que todos os procedimentos seguiram normas legais, com a PMDF à disposição para esclarecimentos adicionais.

    O relatório enfatiza a ausência de incidentes, reforçando o regime de custódia em uma sala de estado-maior de 64,8 metros quadrados, equipada com banheiro, cozinha e área externa.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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