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Defesa complica ainda mais Bolsonaro em recurso admitindo golpe sob narrativa de “desistência”

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    O ex-presidente
    O ex-presidente Jair Bolsonaro e o general Augusto Heleno durante depoimento no STF / ARTE URBSMAGNA


    Os advogados do condenado passaram a reconhecer a trama golpista, mas agora invocam a ocorrência de interrupção voluntária e tentam anular condenação



    Brasília, 28 de outubro 2025

    Em recurso apresentado ao Supremo Tribunal Federal na noite desta segunda-feira (27/out), a defesa do ex-presidente condenado por ser o líder de uma tentativa de golpe de Estado, o inelegível até 2062, Jair Bolsonaro, protocolou embargos de declaração com mais de setenta páginas, dirigidos ao ministro Alexandre de Moraes, relator da Ação Penal 2668.

    O documento visa reverter a condenação recente por crimes de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito, articulados no final de seu mandato, com o objetivo de contestar os resultados das eleições presidenciais de 2022.

    O contexto remonta às investigações sobre reuniões e articulações no Palácio do Planalto, onde, conforme a denúncia da Procuradoria-Geral da República, Bolsonaro e aliados teriam iniciado a execução de um plano para instaurar medidas de exceção, incluindo a possibilidade de decretação de estado de sítio ou intervenção militar para anular a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva.

    Esses fatos, detalhados em provas como depoimentos de ex-integrantes do governo, mensagens interceptadas e relatórios de inteligência, culminaram no julgamento do Supremo, que, por maioria, condenou o ex-presidente.

    Na peça recursal, a defesa admite, em tese e pela primeira vez de forma explícita na narrativa jurídica, como observa matéria no ICL Notícias, a existência de um percurso executivo inicial dessa conspiração, mas alega que Bolsonaro teria desistido voluntariamente do plano, invocando o artigo 15º do Código Penal, que exclui a pena quando o agente interrompe por iniciativa própria o curso da execução criminosa.

    Argumentam os advogados que, após as reuniões mencionadas na denúncia, o então presidente se absteve de atos formais, adotou postura pública de desestímulo a manifestações impulsivas de apoiadores e desautorizou qualquer deflagração de medidas golpistas, encerrando o suposto plano por vontade própria.

    Citam, inclusive, o voto divergente do ministro Luiz Fux no julgamento, que, embora minoritário, asseverou: caso houvesse início de execução, o embargante deliberadamente interrompeu o curso dos fatos, caracterizando a desistência voluntária.

    Essa admissão indireta reforça, no entanto, a plausibilidade da denúncia original, uma vez que a tese da desistência pressupõe indícios concretos de crime em andamento, o que juristas consultados interpretam como reconhecimento velado de uma articulação golpista em curso, ainda que não consumada.

    A defesa se distancia explicitamente dos atos de 8 de Janeiro, os invasores do Congresso, Supremo e Palácio do Planalto por bolsonaristas radicais, afirmando que Bolsonaro jamais incentivou ou endossou tais eventos, mas sim os repudiou em comunicações internas.

    As consequências imediatas dessa estratégia recursal são limitadas: embargos de declaração servem primordialmente para esclarecer omissões ou contradições no acórdão, sem potencial para alterar o mérito da condenação, que permanece firme por decisão colegiada do plenário.

    No entanto, o documento perpetua o debate jurídico sobre a responsabilidade pessoal de Bolsonaro, podendo influenciar ações conexas na Justiça Federal e no Tribunal Superior Eleitoral.

    Politicamente, a admissão em tese de um plano abortado pode agravar o isolamento do ex-presidente junto a aliados moderados, enquanto fortalece narrativas de accountability democrática no pós-eleições.

    Para o futuro, espera-se que o relator, ministro Alexandre de Moraes, rejeite os embargos em despacho monocrático breve, dado o escasso cabimento da peça, com possível recurso subsequente à turma ou plenário, prolongando o litígio por meses.

    Analistas preveem que essa manobra não reverte a inelegibilidade, mas serve como palanque para a oposição em 2026, destacando a fragilidade institucional exposta em 2022.



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    1 comentário em “Defesa complica ainda mais Bolsonaro em recurso admitindo golpe sob narrativa de “desistência””

    1. Vania Barbosa Vieira

      Com essa defesa, em breve ele conseguirá mais alguns anos, quem sabe 30.😃😃😃🎊🎊🎊

    Os comentários estão fechados.

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