O Coaf afirma que este montante ‘provavelmente’ tem relação com campanha de arrecadação de recursos para pagamento de multas
De acordo com a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), “os negócios” em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) “vão de vento em popa“.
Ela comenta a notícia de que o ex-ajudante de ordens Mauro Cid movimentou R$ 3,7 milhões em 10 meses.
Na sequência, a deputada comenta outra notícia de que o ex-presidente “tocou o coração bolsonarista de empresários, advogados, pecuaristas, militares e agricultores e captou nada menos que R$ 17 milhões em seis meses“.
A parlamentar se refere ao recebimento, por meio de transações de Pix, de R$ 17,2 milhões, em uma conta bancária de Bolsonaro.
As operações foram realizadas entre 1 de janeiro a 4 de julho deste ano, conforme mostra um relatório do Coaf (Coselho de Controle de Atividades Financeiras), órgão de combate à lavagem de dinheiro.
Feghali disse que esse é um “negócio promissor“.
“E esse recurso, via campanha de Pix, era para pagar dívida com o Estado de São Paulo de R$ 1 milhão por não usar máscara“, afirmou a deputada, que completou: “Mas nem todo o pix do mundo vai livrá-lo do seu destino: a cadeia“.
Veja abaixo e leia mais a seguir:
O documento diz que os valores são “atípicos” e se referem “provavelmente” à campanha de arrecadação feita por Bolsonaro para pagar as multas que recebeu durante o seu governo, como a de circular na rua sem máscaras durante a pandemia de Covid-19.
No início do ano, a chave Pix de Bolsonaro foi divulgada nas redes sociais de ex-ministros do seu governo e parlamentares do PL para impulsionar a campanha de arrecadação.
A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 87.000 nas contas do ex-mandatário pelo não pagamento de multas aplicadas durante pandemia.
As autuações se referem a três visitas que ele fez ao Estado em 2021, conforme mostrou ‘O Globo‘.
O órgão de inteligência financeira rastreou, ao todo, 769.717 operações de Pix efetuadas em seis meses.
Entre os principais doadores, figuram na lista uma empresária do agronegócio, com R$ 20 mil; um dono de uma companhia da construção civil, com R$ 10 mil; e um escritor, com R$ 10 mil; entre outros.
Segundo relatório do Coaf, o ex-presidente também fez um repasse de R$ 3.600 neste ano para Walderice Santos da Conceição, a Wal do Açaí, apontada pelo Ministério Público Federal (MPF) como funcionária fantasma no período em que Bolsonaro foi deputado federal.
No campo dos destinatários de recursos, também há dez lançamentos, totalizando R$ 56.073, para a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Houve ainda 17 transferências, em um total de R$ 14.268 para uma lotérica, aberta em 2000, cujos sócios são um irmão e um sobrinho de Bolsonaro.
