Restrições atuais são parte de outro processo que envolve o filho Eduardo e possível revogação não interfere na condenação por tentativa golpe de Estado, que ainda está sujeita a recursos, o que posterga o início efetivo do cumprimento da pena em regime fechado
Brasília, 27 de setembro de 2025
O ex-presidente Jair Bolsonaro permanece em prisão domiciliar desde 4 de agosto de 2025, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A medida, que inclui tornozeleira eletrônica e restrições de comunicação, foi tomada com base em indícios de obstrução de justiça e risco de fuga apontados pela Polícia Federal (PF), que investigou sua suposta participação em uma articulação para pressionar o STF por meio de lobby nos Estados Unidos.
Em 24 de setembro, a defesa de Bolsonaro, liderada pelos advogados Paulo Amador Cunha Bueno e Celso Vilardi, pediu a revogação total das restrições, argumentando que elas perderam a razão de ser.
O cerne do argumento da defesa é a ausência de Jair Bolsonaro na denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), chefiada por Paulo Gonet Branco, em 22 de setembro.
A denúncia, que acusou o deputado Eduardo Bolsonaro e o blogueiro Paulo Figueiredo pelo crime de coação ao processo, não incluiu o ex-presidente.
A PGR justificou que o inquérito “não encerra” com essa denúncia, mantendo-o aberto para investigações futuras e possível “escalada delitiva”, o que, para a defesa, torna as medidas cautelares “um fim em si mesmas” e desproporcionais.
É crucial distinguir essa situação da condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão, decretada pela Primeira Turma do STF em 11 de setembro de 2025 na Ação Penal 2668, que julga os atos golpistas pós-eleições de 2022.
Essa condenação, que também atingiu figuras como Walter Braga Netto e Anderson Torres, é um processo distinto e ainda está sujeita a recursos, o que posterga o início efetivo do cumprimento da pena.
A possível revogação da prisão domiciliar atual não interfere nessa condenação futura, que pode resultar em regime fechado em local como o Complexo da Papuda.
Enquanto o STF ainda não se pronunciou sobre o pedido de revogação, o Partido Liberal (PL) articula politicamente o chamado “PL da Anistia”, que visa reduzir drasticamente as penas dos condenados por crimes como os do 8 de janeiro.
O caso permanece no centro do debate político, refletindo as tensões institucionais e a luta pela accountability democrática, com a sociedade acompanhando atentamente os próximos passos do Ministério Público Federal e do STF sob a relatoria de Alexandre de Moraes.
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Se bolsonaro estiver livre vai fugir mas antes disso fará um grande estrago na sociedade.
Vale a pena?
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