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Bolsonaro pode estar ainda idealizando o clima perfeito para um golpe, diz Jânio de Freitas

     O presidente Jair Bolsonaro durante discurso a manifestantes em que ameaçou a democracia, na Esplanada dos Ministérios, em 7 de setembro de 2021. Ao lado, o jornalista Jânio de Freitas, 89, em foto postada no portal Bem Blogado, no ano de 2017 | Sobreposição de imagens


    PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

    Mesmo com seu “discurso mofado” dissipador de massas e, sobretudo, por conta do vexame das sondagens do eleitorado

    O presidente da República, Jair Bolsonaro, pode estar, ainda, idealizando o clima perfeito para um golpe de Estado, de acordo com o jornalista Jânio de Freitas, em matéria publicada na Folha de S. Paulo, na tarde de sábado (25/12).

    Sob o título ‘Golpe de Bolsonaro segue no seu rumo‘, o colunista diz que o presidente comprou “a aliança dos armados” e “faz retorno aos preparativos contra esmagador resultado eleitoral“.

    Tal aliança, segundo o autor, foi o “aumento salarial restrito à Polícia Federal e demais servidores civis armados, como os policiais rodoviários“, o que, para Jânio de Freitas, “relaciona-se à eleição de 2022, claro. Mas não com fim eleitoral”.

    A notícia do reajuste apenas para policiais provocou insatisfação geral, mas sobretudo a de auditores da Receita Federal, que farão paralisação em protesto contra a seletividade.

    Jânio diz ainda que o privilégio já foi também “antecipado aos militares, quando todo o restante do serviço público federal está há cinco anos sem reposição alguma das perdas salariais“.

    Assim, Bolsonaro compra “a aliança dos armados” e “faz um retorno aos agrados preparatórios do golpe frustrado [de 7 de setembro]. Logo, retorno também aos preparativos contra o esmagador resultado eleitoral antevisto nas atuais pesquisas“, escreve o jornalista.

    A estratégia, diz Jânio, segue as orientações de Steve Bannon, em cuja cartilha de extrema-direita lê-se a recomendação para “provocar, irritar, manter inquietação, acusar o sistema eleitoral, atrair os bandos arruaceiros e erguer a situação para o golpe”.

    Este foi o mesmo “programa que Trump praticou, fracassado na etapa final porque a invasão do Congresso não teve o desdobramento esperado”, diz o jornalista.

    E “Bolsonaro adotou o programa sem desvios, também aqui fracassado na etapa final, pelo mesmo motivo de lá”, escreve Jânio, apontando o seguinte:

    Os tanques da Marinha só fumegaram ridículo em Brasília, o desfile de outra posse não moveu os apoiadores bestificados, a massa em São Paulo ouviu o discurso mofado e apenas dissipou-se”.

    O jornalista ainda presume que o filho do presidente, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, recebeu orientações de Bannon em “recente encontro“.

    Mas, apesar do eventual plano, “o programa tem mais um engasgo: além da barragem feita pela Justiça Eleitoral em defesa da urna eletrônica, Bolsonaro colhe um vexame também nas sondagens do eleitorado”, diz Jânio.

    Nos Estados Unidos, o movimento golpista de Trump já provoca até advertência de generais para o risco de golpe contra a eleição de 2024″, mostra o jornalista.

    Enquanto, por “aqui, Bolsonaro retoma seu ideal. Convulsão, não eleição“, pontua Jânio de Freitas. “Assunto impróprio diante de novo ano. Não no país impróprio“.

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