Ao afirmar que a inelegibilidade de Bolsonaro ‘limpou a pista‘ dos ‘eleitos no rastro‘ dele, a telejornalista pode ter sugerido que a prisão poderia ser a derradeira cura para o bolsonarismo de políticos que se beneficiam de seu nome
Em um trecho de vídeo que circula nas redes sociais, a apresentadora do ‘Jornal da Globo‘, Renata Lo Prete, afirma que a inelegibilidade de Bolsonaro limpou a pista para políticos aliados, eleitos no rastro dele, que viram uma oportunidade para se afastarem de vez da ideia, agora comprovada, de dar um golpe de Estado.
A telejornalista enumera “dois fatores” que explicam porque a tentativa contra a democracia falhou. Segundo ela, um deles é que não houve “apoio suficiente das Forças Armadas“. O outro é que o golpe só interessava praticamente a Bolsonaro e ao seu entorno, mas não a muita gente.
O que Lo Prete quis dizer é algo como afirmar que ‘a massiva maioria dos eleitos em seu nome não está nem aí para as ideias malucas de Bolsonaro, mas usam sua popularidade para benefício político.
E que, talvez, a prisão do inelegível poderia servir para limpar ainda mais as pistas para todos eles, caso houvesse a reversão de sua popularidade para uma inédita impopularidade. Se isso ocorresse, seus “aliados”, entre aspas, se afastariam em definitivo de tudo o que lembra o nome Bolsonaro.
Assim, o ex-presidente pode estar a poucos passos de ser esquecido. Porque não há nada que seu governo tenha feito para ser associado à sua imagem no futuro, como ocorre com Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito três vezes o Presidente da República Federativa do Brasil por conta de seu legado.
O que ocorre hoje, como Lo Prete também lembra, sobre o Brasil ser um “país encrencado e profundamente dividido“, é fruto das ‘fake news‘ disseminadas por quem se beneficia politicamente com isso e precisa destruir bons nomes, como o de Lula, para sobreviver nesse campo.
Veja a transcrição a seguir:
“Muita gente se pergunta, até hoje, porque o golpe deu errado, sendo que Bolsonaro, agora a gente vê, se empenhou muito por ele. Um fator é que não houve apoio suficiente das Forças Armadas. E aqui ‘suficiente’ é a palavra chave.
Porque apoio houve e não só de gente pouco importante. Houve graúdos também. Bem graúdos. A investigação deixa claro. Mas não foi o suficiente para Bolsonaro arriscar. Pra ele não ter medo do dia seguinte.
Porque dar golpe é bem menos complicado do que sustentar golpe. Principalmente num país encrencado e profundamente dividido, como é hoje o Brasil. Bolsonaro claramente teve medo do dia seguinte e a turma ‘all in’ do golpe, Braga Netto, Paulo Sérgio, Heleno, os generais, acabou pendurada no pincel.
Um outro fator é a aquela pergunta que a gente sempre precisa fazer na política e na vida: ‘A quem interessa? O golpe interessava a Bolsonaro, claro, à turma dele, mas não a muito mais gente.
Prova disso é a velocidade com que a maioria dos políticos aliados, inclusive governadores, eleitos no rastro dele, se afastaram disso. E olha que ainda nem havia a inelegibilidade do Bolsonaro, que limpou a pista pra eles”.
Os motivos de Jair Bolsonaro, o imbrochável, ter brochado na hora do golpe. pic.twitter.com/mkSYSsuHrV
— GugaNoblat (@GugaNoblat) February 11, 2024
