Ex-presidente sugere anistia como solução para tarifas de 50% impostas pelos EUA e condiciona negociação à devolução de seu passaporte
Brasília, 17 de julho de 2025
Em meio à crise tarifária desencadeada pela decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se colocou à disposição para negociar diretamente com Trump.
Em declarações feitas nesta quinta-feira (17/jul), Bolsonaro afirmou que o Brasil “vai pagar um preço alto” caso não haja diálogo, sugerindo que a anistia a ele e aos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 seria uma condição para a redução das tarifas.
Ele também condicionou sua participação na negociação à devolução de seu passaporte, retido pela Polícia Federal desde fevereiro de 2024 devido a investigações sobre tentativa de golpe de Estado.
A proposta de Bolsonaro intensifica a tensão diplomática entre Brasil e EUA, enquanto o governo Lula busca soluções via canais oficiais.
A decisão de Trump de sobretaxar produtos brasileiros foi anunciada em 9 de julho, em uma carta endereçada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Trump justificou a medida citando desequilíbrios comerciais e o que classificou como “perseguições judiciais” contra Bolsonaro no Brasil, incluindo o processo por tentativa de golpe de Estado, que ele chamou de “caça às bruxas”.
A tarifa, que entra em vigor em 1º de agosto, tem gerado preocupação entre setores produtivos brasileiros, como indústria e agronegócio, devido aos impactos econômicos previstos.
Bolsonaro afirmou que, se o presidente Lula sinalizasse positivamente e seu passaporte fosse devolvido, ele poderia negociar diretamente com Trump.
“Se o Lula sinalizar para mim, eu sei que não é ele que vai dar o passaporte, eu negocio com o Trump. Quem não vai conversar vai pagar um preço alto”, disse o ex-presidente.
Ele também sugeriu que a anistia seria um “atalho diplomático” para resolver a crise, declarando: “Vamos supor que Trump queira anistia. É muito? Se continuar esse 50% todo mundo vai sofrer”.
Além disso, Bolsonaro defendeu a permanência de seu filho, o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), nos Estados Unidos, onde ele tem articulado com congressistas republicanos.
Segundo o ex-presidente, Eduardo “tem portas abertas na Casa Branca e no Capitólio” e estaria fazendo mais pela diplomacia brasileira do que o Itamaraty. No entanto, essa articulação tem gerado críticas, com o PT acusando Eduardo de conspirar contra o Brasil ao pressionar por sanções americanas.
Reações e implicações políticas
O governo brasileiro, por meio do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, reagiu com indignação à tarifa, enviando uma carta aos EUA cobrando uma solução diplomática.
O documento destaca que o Brasil acumula um déficit comercial de US$ 410 bilhões com os EUA nos últimos 15 anos e classifica a medida como “unilateral”.
O Itamaraty também lembrou que, desde maio, o Brasil apresentou uma proposta confidencial de negociação, ainda sem resposta de Washington.
Enquanto isso, no Congresso, a proposta de anistia defendida por Bolsonaro e seus aliados, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), perdeu força. Líderes do Congresso, incluindo o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmaram que negociações com os EUA devem ser conduzidas pelo Executivo, no âmbito diplomático e econômico, e não vinculadas à anistia.
Além disso, o Senado anunciou a formação de uma comitiva, com ex-ministros de Bolsonaro como Tereza Cristina e Marcos Pontes, para negociar com congressistas americanos entre 29 e 31 de julho, visando reduzir a tarifa.
A insistência de Bolsonaro e Eduardo na anistia como condição para resolver a crise tarifária tem gerado divisões até entre aliados. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tentou negociar com a embaixada americana, foi criticado por Eduardo por “esvaziar” suas articulações nos EUA.
Bolsonaro, por sua vez, elogiou Tarcísio, mas afirmou que “uma pessoa só não é suficiente” e que “Trump não vai ceder”.
Riscos e críticas à proposta de Bolsonaro
A proposta de Bolsonaro de negociar diretamente com Trump enfrenta obstáculos legais e políticos. O ex-presidente está proibido de deixar o Brasil desde que seu passaporte foi retido em fevereiro de 2024, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito das investigações do 8 de janeiro.
Ministros do STF rejeitaram uma sugestão de Tarcísio para que Bolsonaro viajasse aos EUA, considerando-a “esdrúxula” e alertando para o risco de ele buscar asilo político com apoio de Trump, o que dificultaria sua extradição.
Além disso, a articulação de Eduardo Bolsonaro nos EUA, incluindo sua defesa da aplicação da Lei Magnitsky contra autoridades brasileiras como o ministro Alexandre de Moraes, foi criticada como uma tentativa de desgastar o governo Lula e o STF.
O PT protocolou pedidos no STF para investigar Jair e Flávio Bolsonaro por crimes como obstrução de justiça e atentado à soberania nacional, além de solicitar a cassação do mandato de Eduardo por suas ações nos EUA.
Contexto internacional e perspectivas
Trump, em declarações na Casa Branca, reforçou o tom político da tarifa, afirmando que a medida foi motivada pelo tratamento dado a Bolsonaro, a quem chamou de vítima de uma “desgraça”.
A narrativa de “perseguição” tem sido usada por Bolsonaro e seus aliados para pressionar o Congresso a aprovar a anistia, mas analistas apontam que a estratégia pode isolar ainda mais o bolsonarismo, especialmente após a perda de apoio de aliados como Tarcísio.
O governo Lula, por sua vez, avalia recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso as negociações diplomáticas não avancem.
Setores econômicos brasileiros temem que a tarifa, se mantida, cause prejuízos significativos, especialmente para exportadores do agronegócio e da indústria.









Fora Trump e a raça BOLSONARISTA!
O cara não estava orientado a ficar calado e em repouso? Portanto estes aparecimentos são a farsa da doença.
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