Para Bernardo Mello Franco, o presidente imita Trump e, como ele, aposta numa ‘versão tupiniquim da invasão do Capitólio’ após derrota para Lula
“Bolsonaro tem um plano. Quer permanecer no cargo a qualquer custo, seja no voto ou na marra (…) O capitão parece apostar numa versão tupiniquim da invasão do Capitólio, estimulada no ano passado por seu ídolo Donald Trump“, escreve o jornalista Bernardo Mello Franco, em seu blog, no Globo.
Segundo o colunista do jornal, “na era da comunicação instantânea, negar a realidade deixou de ser atestado de ignorância. Virou tática para fidelizar seguidores e se perpetuar no poder” e, por este motivo, o presidente ignora pedidos do presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para encerrar seu “negacionismo eleitoral”, assim mantendo suas “convicções democráticas“.
Mello Franco chama atenção para “um vídeo divulgado na quinta-feira“, revelando que “no dia seguinte ao tumulto nos EUA, Trump gravou um pronunciamento na Casa Branca” e, ao ler o discurso, pulou a frase em que admitiria a derrota para Joe Biden“. Mais tarde, “explicou a assessores: ‘Não quero dizer que a eleição acabou‘”. Essa “recusa a reconhecer o resultado ainda mantém parte de seus eleitores em negação“.
A conclusão do jornalista é a de que Bolsonaro está usando o “negacionismo (…) para manter a tropa unida fora do poder“. Mello Franco explicou que “cerca de 70% dos eleitores republicanos ainda acreditam que a vitória de Biden foi roubada, apesar da absoluta inexistência de provas“.
“Ao insistir na mentira da fraude, Trump se mantém no páreo como alternativa para 2024. Se o projeto do golpe naufragar, Bolsonaro precisará de um discurso para não desmobilizar seus seguidores“, pontia o colunista do jornal, acrescentando que “é perda de tempo esperar que ele atenda ao apelo de Fachin“.
