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Bolsonaro na corda bamba: prazo final para alegações no caso do golpe chega ao fim no STF

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    Dias antes
    Dias antes da prisão domiciliar, o ex-presidente Jair Bolsonaro leva a mão ao rosto ao saber que o ministro do STF Alexandre de Moraes descartou sua prisão preventiva por descumprimento de medidas cautelares |24.7.2025| Imagem reprodução


    Supremo se prepara para julgar ex-presidente e aliados por tentativa de golpe em 2022, com PGR apontando Bolsonaro como líder de esquema criminoso



    Brasília, 13 de agosto de 2025

    O Supremo Tribunal Federal (STF) está na reta final de um dos processos mais explosivos da história recente do Brasil: a investigação da tentativa de golpe de Estado em 2022.

    Nesta quarta-feira (13/ago), termina o prazo para que o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus do chamado “núcleo crucial” da trama golpista apresentem suas alegações finais ao tribunal.

    Esse é o último passo antes do julgamento, previsto para setembro, que decidirá se os acusados serão condenados ou absolvidos por crimes graves que ameaçaram a democracia brasileira.

    O que está em jogo?

    O processo apura uma suposta articulação para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito em 2022, e manter Bolsonaro no poder de forma ilegítima.

    A Procuradoria-Geral da República (PGR), liderada pelo procurador Paulo Gonet, acusa Bolsonaro de ser o “líder e principal articulador” de uma organização criminosa armada.

    Segundo a denúncia, ele usou o “aparato estatal de forma dolosa” para atacar instituições democráticas, como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e desestabilizar o processo eleitoral, contando com o apoio de setores estratégicos das Forças Armadas e do alto escalão de seu governo.Os réus respondem por cinco crimes: organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano qualificado contra o patrimônio da União e deterioração de patrimônio tombado.

    Se condenado por todos, Bolsonaro pode enfrentar uma pena que ultrapassa 40 anos de prisão .

    Quem são os réus?

    Além de Bolsonaro, o “núcleo 1” da trama inclui figuras de peso do governo e das Forças Armadas:

    ➡️Mauro Cid, tenente-coronel e ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, que firmou acordo de delação premiada;

    ➡️Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e atual deputado federal pelo PL-RJ;

    ➡️Almir Garnier, ex-comandante da Marinha;

    ➡️Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança do Distrito Federal;

    ➡️Augusto Heleno, general e ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI);

    ➡️Paulo Sérgio Nogueira, general e ex-ministro da Defesa;

    ➡️Walter Braga Netto, general, ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice na chapa de Bolsonaro em 2022;

    Mauro Cid já apresentou suas alegações finais em 29 de julho, pedindo absolvição ou perdão judicial.

    Sua defesa argumenta que ele apenas “cumpriu ordens superiores” e não tinha intenção de participar de um golpe.

    A colaboração de Cid com as investigações, incluindo a entrega de mensagens e documentos, foi fundamental para embasar a denúncia da PGR.

    A acusação da PGR

    Em um documento de 517 páginas entregue em 14 de julho, Paulo Gonet detalhou o papel central de Bolsonaro na trama.

    A PGR afirma que ele mobilizou recursos estatais e aliados para “propagar narrativas inverídicas” e provocar instabilidade social, visando a “continuação ilegítima no comando do país”.

    Provas como manuscritos, planilhas e trocas de mensagens reforçam a denúncia, mostrando que o grupo planejou ações para subverter a ordem democrática.

    O que são alegações finais?

    As alegações finais são memoriais escritos onde acusação e defesa resumem o processo, analisam provas e reforçam seus argumentos.

    Após a PGR e a defesa de Mauro Cid, agora é a vez de Bolsonaro e os outros réus apresentarem suas versões.

    Como Walter Braga Netto está preso, os prazos correram normalmente durante o recesso do Judiciário em julho.

    Próximos passos

    Com o fim do prazo, o relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, elaborará seu relatório e voto.

    Depois, o processo será pautado na Primeira Turma do STF, composta por Moraes, Cristiano Zanin (presidente da turma), Cármen Lúcia, Flávio Dino e Luiz Fux.

    A expectativa é que o julgamento ocorra em setembro, com as quatro terças-feiras do mês reservadas para o caso.

    A decisão será por maioria, e os réus poderão recorrer ao próprio STF em caso de condenação ou absolvição.

    Pressões e contexto político

    O processo ocorre em meio a tensões. Bolsonaro, que está em prisão domiciliar desde 4 de agosto por descumprir medidas cautelares, enfrenta pressões externas, incluindo sanções do governo dos Estados Unidos sob Donald Trump, que acusou Moraes de “violações de direitos humanos”.

    O ministro, porém, afirmou que o STF não se intimidará: “Esse relator vai ignorar as sanções e continuar trabalhando de forma colegiada”.

    No Congresso, aliados de Bolsonaro articulam projetos “anti-STF” e até um possível impeachment de Moraes.

    O que pode acontecer?

    Se condenados, os réus podem enfrentar penas severas, mas militares e delegados, como Ramagem e Torres, têm direito a prisão especial.

    Bolsonaro, caso condenado, não seria encaminhado imediatamente a um presídio comum devido ao seu status.

    Recursos ao STF podem prolongar o desfecho.

    O julgamento marcará um momento histórico para o Brasil, testando a força das instituições democráticas diante de uma tentativa de ruptura.

    Enquanto Bolsonaro e seus aliados preparam sua defesa final, o país aguarda a decisão que pode redefinir o futuro político de um dos períodos mais polarizados de sua história.



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