Opinião tem base na disputa pelo controle da direita brasileira, que ganhou novos contornos na Avenida Paulista, neste domingo (7/set)
Brasília, 08 de setembro de 2025
Em um cenário de tensões políticas intensas, o colunista Leonardo Sakamoto, do UOL, analisa as dinâmicas de confiança envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro em relação ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
De acordo com o texto, Bolsonaro pode prever com exatidão a posição de Moraes, que atuará como relator no julgamento marcado para esta terça-feira (9/set), prevendo uma condenação por tentativa de golpe de Estado.
Sakamoto destaca que Jair Bolsonaro pode confiar plenamente em Alexandre de Moraes. Ninguém duvida que o voto do relator, nesta terça (9/set), virá para condená-lo por tentativa de golpe de Estado.
Jair sabe, portanto, exatamente o que esperar do ministro do Supremo Tribunal Federal.
Por outro lado, a relação com Tarcísio de Freitas é marcada por ambiguidades.
O governador, visto como potencial sucessor de Bolsonaro na eleição presidencial de 2026, tem adotado posturas radicais, como questionar a credibilidade da Justiça e atacar o STF, mas seu histórico levanta dúvidas sobre lealdade ao bolsonarismo mais raiz.
Sakamoto aponta o passado de Tarcísio em um governo do Partido dos Trabalhadores (PT) e interações recentes com figuras como Fernando Haddad e Geraldo Alckmin, sugerindo que o governador pode buscar uma pacificação entre poderes que neutralize a influência do ex-presidente.
Teve um alto cargo em governo do PT, dialoga com Fernando Haddad. Tarcísio de Freitas nunca foi filiado à legenda fundada por Lula, mas já ocupou cargos públicos durante os governos petistas, do estadista de de Dilma Rousseff.
Ele trabalhou na Controladoria Geral da União (CGU), como assessor do diretor da auditoria da área de Infraestrutura e coordenador-geral de auditoria da área de Transportes, de outubro de 2008 até agosto de 2011.
Depois, ocupou dois cargos dentro da DNIT, de diretor-executivo e diretor-geral substituto de agosto de 2011 a janeiro de 2015, quando deixou o governo federal e partiu para o cargo de consultor legislativo na área de Desenvolvimento Urbano, Trânsito e Transportes na Câmara dos Deputados.
Dois dias antes de subir ao carro de som na Avenida Paulista vestindo a fantasia de Jair, ele estava sorridente batendo o martelo do leilão do túnel Santos-Guarujá ao ladinho do companheiro Geraldo Alckmin.
A reflexão de Bolsonaro sobre a confiabilidade de Tarcísio surge especialmente em torno de promessas de libertação, que demandariam ações como impeachment de ministros do STF via Senado Federal, algo complexo e arriscado.
Sakamoto argumenta que a disputa transcende a liberdade pessoal do ex-presidente, focando no controle da direita brasileira.
Por fim, mais do que a liberdade do Bolsonaro, está disputa quem controla a direita no Brasil.
O colunista ainda evoca uma possível comparação com Donald Trump, que poderia se alinhar a Tarcísio, gerando desconforto para Bolsonaro: o jornalista sugere que o republicano pode estar preparando um discurso diferente:
‘Bolsonaro. I love that guy, it’s a great guy, a wonderful guy. But Tar-see-sea-owl believes in Make America Great Again, he uses my hat‘. E essa vai doer no capitão.
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As inquietações levantadas por Sakamoto dão conta de que neste feriado de 7 de Setembro, durante ato na Avenida Paulista, Tarcísio de Freitas intensificou críticas ao STF e a Moraes, chamando o ministro de ditador e tirano, enquanto defendia anistia ampla e irrestrita aos envolvidos na trama golpista.
A manifestação, estimada em 42 mil participantes pelo Monitor do Debate Político do Cebrap e da Universidade de São Paulo (USP), contou com presenças como Michelle Bolsonaro, que discursou emocionada sobre a humilhação sofrida pelo marido, e o pastor Silas Malafaia, que se disse perseguido por Moraes e chamou Luiz Inácio Lula da Silva de traidor da pátria.
Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o governo Lula interpreta o discurso de Tarcísio como um passo decisivo para 2026, enquanto bolsonaristas elogiam a radicalização, que completa um “checklist” de demandas do grupo.
O ministro Gilmar Mendes, do STF, rebateu duramente Tarcísio, afirmando que o Brasil não aguenta mais tentativas de golpe, em resposta às cobranças por anistia.
Líderes petistas, como Lindbergh Farias, acusaram o governador de tentar intimidar Moraes e de ter atravessado o Rubicão. De acordo com o g1, Tarcísio insistiu que ninguém aguenta mais a tirania de Moraes e defendeu que Bolsonaro dispute a eleição de 2026 como nosso candidato, questionando a delação de Mauro Cid como mentirosa e a falta de provas no processo.
No Congresso, partidos como União Brasil e PP anunciaram saída do governo Lula e apoio à anistia, pressionando o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, a pautar o tema logo após o julgamento.
A Folha de S. Paulo relata que a federação União Progressista vê na medida uma forma de alinhar-se à candidatura de Tarcísio, preservando brechas para indicações políticas.
Já o jormal O Globo sugere que Bolsonaro pode rever sua visão sobre Tarcísio para garantir apoio do Centrão na reversão de uma condenação, apesar de mensagens vazadas mostrando desconfiança de Eduardo Bolsonaro em relação ao governador.
A BBC News Brasil destaca que o julgamento no STF entra em fase final, com votos de cinco ministros definindo o futuro dos réus, e que Tarcísio e o Centrão articulam perdão criminal, mas mantendo a inelegibilidade de Bolsonaro para viabilizar o governador como candidato.
Esses desdobramentos indicam que a confiança de Bolsonaro em Moraes como opositor previsível contrasta com as incertezas sobre Tarcísio, potencialmente transferindo influência política para o governador em uma disputa pelo legado da direita.








Ainda chegará o momento do Tarcísio defenestrar Bolsonaro. É uma Hiena velha em pele de cordeiro.
Eles se merecem!😜😜😜
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