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Bolsonaro lê que será indiciado em ‘mês que terá gosto amargo’, liga para site e diz que usava Constituição no banheiro


    Jair Bolsonaro
    REUTERS

    O inelegível disse à coluna do portal de notícias, onde a matéria foi ao ar às 2h, que a Polícia Federal de Moraes é “criativa” e que nunca desrespeitou a Constituição Federal, livro que, segundo ele, era sua “leitura de cabeceira e de banheiro

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    O ex-presidente declarado inelegível até 2030, Jair Bolsonaro (PL), leu uma notícia publicada às 2h deste sábado (19/10), em cujo texto diz que “novembro vai ter um gosto amargo” para ele “os ex-ministros e generais Augusto Heleno e Walter Braga Netto; o ex-comandante da Marinha e almirante Almir Garnier Santos; o ex-ministro Anderson Torres; e o ex-ministro Paulo Sérgio Nogueira, entre outros“, pois todos serão indiciados no inquérito que apura a tentativa de golpe de Estado, após a derrota para Lula, em 2022, e resolveu ligar para o site responsável pela publicação às 6h50.

    De acordo com a publicação, a Polícia Federal tem provas da participação dos cinco na tentativa de golpe em 2022, especialmente após o segundo turno das eleições, especialmente mensagens que ligam Bolsonaro a uma minuta que questionava o resultado das eleições fora da Constituição, que estava com Mauro Cid e incluía o decreto de Estado de Sítio e uma Operação de Garantia da Lei e da Ordem, diz a coluna de Guilherme Amado, no Metrópoles.

    O texto diz ainda que a situação de Bolsonaro piorou com a confirmação de que ex-comandantes do Exército e da Força Aérea foram pressionados por ele a apoiar um golpe e que o ex-comandante da Marinha foi o único a oferecer suas tropas para a tentativa de golpe, alé de que o ex-ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, é acusado de usar seu cargo para incitar apoio ao golpe, bem como Anderson Torres, além de omitir eventos em 8 de Janeiro, será indiciado como “tradutor jurídico” da minuta golpista.

    O ex-ministro Augusto Heleno teve anotações golpistas encontradas pela PF, incluindo medidas contra a Polícia Federal e o Supremo. A PF também tem provas de que Walter Braga Netto tentou pressionar o ex-comandante do Exército a se juntar ao golpe, chamando-o de “cagão”. Mensagens entre Braga Netto e um amigo de Bolsonaro revelam ataques ao ex-comandante da Aeronáutica, que se opôs ao golpe. Todos negam participação em qualquer plano ilegal, diz a matéria.

    Por conta de tudo o que leu acima, Bolsonaro reagiu e ligou para a coluna, para afirmar que nunca tomou nenhuma providência para decretar Estado de sítio no país: “É mais uma da PF criativa do Alexandre [de Moraes]. Não existe decreto de Estado de sítio. O presidente que quiser decretar Estado de sítio deve enviar uma exposição de motivos pro Congresso, ouvir o Conselho da República e o Conselho da Defesa. Cadê a exposição de motivos? Não tem, porque nunca tomei nenhuma medida concreta sobre isso”, afirmou às 6h50 deste sábado (19/10), para comentar a notícia publicada às 2h.

    Bolsonaro também disse que uma eventual condenação sua é para “reforçar a inelegibilidade”, já decretada pelo ministro. “Querem se garantir com uma condenação”, disse. A despeito dos arroubos que teve durante seu governo, o ex-presidente disse que nunca desrespeitou a Constituição, livro que, segundo ele, era sua “leitura de cabeceira e de banheiro”.

    Eu estudei toda a Constituição desde que assumi. A Constituição tem que ser a leitura de cabeceira ou ficar no banheiro. Eu leio no banheiro. Era minha leitura de cabeceira e de banheiro. Sempre falei nas quatro linhas, nunca fiz nada fora”, afirmou.

    Bolsonaro disse que não há nada de concreto contra ele: “Os caras estão fazendo uma tempestade dentro de uma garrafa plástica”.

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