Ex-presidente ficou incomodado com os profissionais de imprensa que faziam capturas de sua imagem durante o julgamento no STF
Brasília, 03 de setembro de 2025
No calor do julgamento que pode definir seu futuro político, o ex-presidente Jair Bolsonaro causou nova controvérsia ao disparar contra jornalistas que o filmavam em sua casa, em Brasília: “Parecem urubus na carniça”.
Durante a cobertura do processo na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que avalia sua suposta participação em uma tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022, Bolsonaro comparou os profissionais da imprensa a “urubus“, sem se dar conta do que acabara de afirmar, haja vista que ele seria, pejorativamente, a “carniça“.
A declaração, proferida em tom de irritação, reflete a tensão que envolve o ex-mandatário enquanto enfrenta acusações graves que podem levar a uma pena de até 43 anos de prisão.
O julgamento, iniciado na terça-feira (2/set), é conduzido pela Primeira Turma do STF, composta pelos ministros Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.
Moraes, relator do caso, abriu as sessões reafirmando a independência da Corte e destacando que não haverá espaço para impunidade.
A Procuradoria-Geral da República (PGR), representada por Paulo Gonet, acusa Bolsonaro e outros sete aliados, incluindo ex-ministros e militares de alta patente, de integrarem o “núcleo crucial” de uma organização criminosa que buscava subverter o resultado eleitoral que deu vitória a Luiz Inácio Lula da Silva.
Entre as provas apresentadas, estão manuscritos, mensagens, gravações de reuniões ministeriais e discursos públicos que, segundo a acusação, evidenciam a trama golpista.
A frase de Bolsonaro contra os jornalistas foi registrada em um momento de alta exposição midiática, enquanto a imprensa acompanhava cada movimento do ex-presidente durante o julgamento.
No segundo dia de sessões, a defesa de Bolsonaro, liderada pelos advogados Paulo da Cunha Bueno e Fábio Wajngarten, questionou a validade da delação premiada de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens, e criticou o volume de informações do processo, que ultrapassa 70 terabytes, alegando dificuldades para análise completa.
O ex-presidente, durante depoimento em 10 de junho, negou participação em qualquer plano para reverter as eleições, admitindo apenas discussões “dentro dos limites constitucionais” com chefes das Forças Armadas.
No entanto, a PGR sustenta que os atos de 8 de janeiro de 2023, quando manifestantes invadiram as sedes dos Três Poderes, foram a culminação de uma série de ações orquestradas pelo grupo liderado por Bolsonaro.
O ministro Flávio Dino reforçou a gravidade dos fatos, afirmando que “não foi um passeio no parque”, em referência aos ataques às instituições democráticas.
A imprensa internacional também acompanha o caso de perto. A agência Bloomberg descreveu o julgamento como “histórico”, enquanto a Associated Press (AP) classificou Bolsonaro como um político de extrema-direita com nostalgia pela ditadura militar.
A cobertura global reflete a relevância do processo para a democracia brasileira, especialmente em um contexto de tensões geopolíticas envolvendo possíveis sanções dos Estados Unidos, mencionadas em conversas entre Bolsonaro e seu filho, Eduardo Bolsonaro, conforme revelou um relatório da Polícia Federal.
A expectativa é de que os próximos dias tragam mais embates entre acusação, defesa e a opinião pública, com o ex-presidente no centro de um debate que pode redefinir os rumos do bolsonarismo no Brasil.







