📷 Convenção do PL que lançou Flávio Bolsonaro candidato usou imagens de IA com Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado / Imagem reprodução / redes sociais |•| Urbs Magna
| São Paulo (SP)
26 de julho de 2026
Um vídeo gerado por inteligência artificial simulando Jair Bolsonaro foi exibido na convenção que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, e juristas já apontam risco de descumprimento das medidas cautelares que proíbem o ex-presidente de fazer qualquer manifestação política, o que poderia levá-lo de volta à Papuda.
O que aconteceu, exatamente
Neste sábado (25/jul), durante a convenção nacional do PL no Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, em São Paulo, foi projetada uma versão digital de Jair Bolsonaro — que cumpre prisão domiciliar por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) após condenação a 27 anos e 3 meses por tentativa de golpe de Estado.
Na gravação, a voz e a imagem sintéticas do ex-presidente afirmam: “Isso que vocês estão vendo aqui não sou eu”, alegam que ele está “preso e calado por uma decisão injusta e arbitrária” e pedem apoio ao filho, encerrando com a frase “o futuro é Flávio Bolsonaro presidente”, segundo o vídeo abaixo.
O deputado cassado por excesso de faltas da Câmara, por viver nos EUA, Eduardo Bolsonaro, compartilhou o material em seu perfil no X, com a legenda “IA contra a censura”.
Duas frentes jurídicas em aberto
O primeiro problema da exibição do vídeo envolve as regras da Justiça Eleitoral sobre uso de conteúdo sintético em campanhas, que exigem identificação clara de material gerado por inteligência artificial — exigência cumprida, no caso, pela própria fala inicial da gravação.
O segundo problema é mais grave: Jair Bolsonaro está submetido a uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que veda qualquer manifestação político-eleitoral, inclusive por meio de terceiros.
Semanas antes, o mesmo ministro já havia suspendido por 30 dias as visitas de Flávio ao pai depois que o senador leu, em uma live, uma carta atribuída a Jair Bolsonaro em apoio à pré-candidatura — episódio interpretado como desvio de finalidade do direito de visita.
A reação do PT e o precedente recente
O Partido dos Trabalhadores avalia acionar a Justiça Eleitoral contra a exibição do vídeo. O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da pré-campanha de Lula em São Paulo, classificou o episódio como uma tentativa de contornar as restrições impostas pelo STF, afirmando que “foi uma forma de burlar a lei”.
O episódio não é isolado. Duas semanas antes, o advogado Marcelo Uchôa, conselheiro da Comissão de Anistia e doutor em Direito Constitucional, já havia pedido a volta imediata de Jair Bolsonaro à Papuda depois que Flávio divulgou um trecho de discurso afirmando que o pai lhe passaria a faixa presidencial em 2027 — fala que Uchôa classificou como afronta direta à decisão do STF.
A repetição desses episódios em curto espaço de tempo — a carta lida em live, a ameaça de “colocar a faixa presidencial” e agora o vídeo com IA — sugere um padrão deliberado de testar os limites da medida cautelar, e não incidentes isolados.
Cada novo episódio funciona como um termômetro: se o STF reagir com brandura, a base bolsonarista lê como sinal de que a estratégia pode continuar sendo usada; se reagir com rigor, alimenta a narrativa de perseguição que a família já vem construindo há meses.
O gabinete do ministro Alexandre de Moraes ainda não se manifestou oficialmente sobre a exibição do vídeo gerado por IA na convenção do PL.
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