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Bolsonaro foi perguntado pela Polícia Federal se era cisgênero, mas ex-presidente ficou em dúvida

    O ex-presidente Jair Bolsonaro foi interrogado nesta quinta pela Polícia Federal, mas ficou em silêncio durante a oitiva, que foi encerrada após aproximadamente 4 minutos | Foto de Adriano Machado / Reuters

    O hoje inelegível e investigado por tentativa de golpe de Estado não conhecia o termo que define pessoas nascidas com pênis ou vagina e que se identificam como homens ou mulheres respectivamente

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    O ex-presidente duplamente declarado inelegível pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) Jair Bolsonaro (PL), que após atacar o sistema de votação brasileiro agora é investigado por tentativa de golpe de Estado, esteve na PF (Polícia Federal) nesta quinta-feira (22/2) decidido a ficar quieto em todos os questionamentos do delegado que realizou a oitiva, mas se dispôs a responder se era “cis” (cisgênero).

    Bolsonaro perguntou o que era isso, sem saber o significado do termo usado para definir se pessoas que nasceram com pênis ou vagina se identificam como homens ou mulheres, respectivamente, conforme o sexo biológico que lhes foi atribuído no momento do nascimento.

    A informação é solicitada na hora de preencher a ficha do depoente em um procedimento burocrático que é feito antes das perguntas sobre o fato investigado e é acompanhado do recolhimento de dados pessoais, lembra o ‘UOL’.

    Segundo o texto, o ex-presidente foi convocado para responder sobre suspeitas de que teria planejado um golpe. As perguntas foram feitas por policiais federais na sede da corporação, em Brasília.

    Bolsonaro exerceu o direito de ficar calado. Paulo Cunha Bueno, seu advogado, justificou essa conduta dizendo que não teve acesso aos elementos colhidos pela investigação e, sem a íntegra da apuração, não pode elaborar a defesa.

    O advogado chamou a investigação de “semissecreta“. Cunha Bueno deseja acesso à delação de Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, e aos vídeos, áudios e mensagens colhidos nos celulares e computadores dos investigados.

    Além do ex-presidente, outras 21 pessoas foram chamados a comparecer na PF. A tática de convocar todos ao mesmo tempo é para evitar combinação de respostas.

    A lista de depoentes inclui ex-ministros, ex-assessores pessoais e militares de alta patente. Boa parte repetiu Bolsonaro e também ficou em silêncio.

    O único motivo pelo qual Bolsonaro fez uso do silêncio foi o fato de ele responder hoje a uma investigação semissecreta.

    Uma exceção foi o ex-ministro da Justiça Anderson Torres. Ele ficou na sede da PF por cerca de cinco horas. Seu advogado declarou que o cliente está disposto a colaborar com as investigações, mas ele descarta delação premiada. 

    Torres foi preso na sequência do 8 de Janeiro. A primeira minuta golpista encontrada pelos investigadores estava na casa dele.

    O Presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, também respondeu as perguntas. Ele ficou na sede da PF durante cerca de três horas e meia e saiu sem dar entrevistas.

    O silêncio de Bolsonaro diante da PF contrasta com sua atitude fora do âmbito das investigações. O ex-presidente convocou um ato para São Paulo no próximo domingo. No evento, ele pretende se defender das acusações, justamente a oportunidade da qual abriu mão ontem.

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