Bolsonaro fez reunião secreta e campanha vai atribuir facada a esquerdistas, diz a Veja

Em dezembro, fora da agenda, o presidente especulou com investigadores sobre a exploração da ideia de que Adélio Bispo agiu por ordens superiores

O presidente Jair Bolsonaro reuniu-se com investigadores no Palácio do Planalto no início de dezembro passado, em reunião secreta, em que especulou junto a investigadores sobre a ideia de que Adélio Bispo agiu por ordens superiores, diz matéria na revista Veja neste domingo (16/1). De acordo com a jornalista Laryssa Borges, a intenção é que a programação de campanha a ser iniciada em fevereiro tenha como principal argumento a atribuição da facada a esquerdistas.

No encontro, escreve Borges, foi pedido que policiais passem a considerar novas hipóteses de apuração envolvendo o ex-garçom Adélio Bispo, que esfaqueou Bolsonaro às vésperas do primeiro turno durante uma agenda de campanha em Juiz de Fora (MG), apesar de a Polícia Federal ter concluído que ele agiu sozinho.

O texto lembra que o presidente tem sido estimulado a reabrir a investigação, mas a revelação da revista foi o encontro fora da agenda, de forma a não permitir o envolvimento de jornalistas com o assunto, especialmente ante a estratégia, conforme definiu a Veja, de bolsonaristas na vinculação do autor da facada a partidos políticos de esquerda.

Borges diz ainda que os bolsonaristas usarão uma antiga filiação de Adélio ao PSOL como suposto elemento de prova de que Bolsonaro teria sido alvo de uma conspirata de “comunistas”.

Conforme visto nas últimas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial deste ano, o presidente não tem chances contra o ex-presidente LULA. Bolsonaro oscila entre 23% a 24% em preferência do eleitorado, o que é insuficiente ante os quase 48% do petista cuja aversão a ele acabou por eleger o atual chefe do Executivo no pleito de 2018.

Ainda segundo a matéria de Borges, foi discutida, na reunião secreta, a hipótese de Adélio Bispo ter utilizado um jatinho com um prefixo frio para se deslocar até a cidade mineira e desferir o golpe de faca contra o presidente.

Outra conjectura aventada no passado mas agora revisitada por apoiadores presidenciais, prossegue a matéria, é a de que o crime teria tido participação do Primeiro Comando da Capital (PCC) – desta vez o braço paraguaio da facção.

Borges lembra ainda que o delegado que atuava no caso Adélio, Rodrigo Morais Fernandes, foi transferido no final do ano passado para um posto em Nova York e substituído por Martin Bottaro Purper, que já atuou em casos envolvendo o PCC.

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