ARRASTE 0%
Português Inglês Irlandês Alemão Sueco Espanhol Francês Japonês Chinês Russo
Avançar para o conteúdo

Bolsonaro faz apologia à ignorância com a Cultura do Brasil, diz Le Monde

    Et Urbs Magna – “Censura, intimidações, asfixia orçamentária, calúnias e injúrias constituem há um ano o repertorio de ações de um poder que faz abertamente apologia à ignorância”, escrevem historiadoras, sobre Bolsonaro, no Le Monde da tarde desta segunda-feira (27).

    O texto de meia página criticando a política cultural em vigor atualmente Brasil foi escrito por duas historiadoras, sendo uma francesa e outra brasileira, e a crítica a Bolsonaro ficou registrada no maior jornal da França, de acordo com o RFI.

    Se engana quem pensa que isso é apenas uma manifestação dos excessos do ‘Trump Tropical’ ou dos membros de seu governo. Trata-se de uma verdadeira cruzada lançada por Bolsonaro e seus apoiadores”, continuam as historiadoras.

    As historiadoras explicam aos leitores franceses que essa “ofensiva ideológica”, que elas também chamam de “guerra cultural”, começou com a extinção do ministério da Cultura, seguido de cortes orçamentários drásticos colocados em prática “em nome de uma ortodoxia neoliberal”. Elas citam em seguida a revisão da Lei Rouanet e as reduções do mecenato de empresas públicas, que “já fragilizam o setor e deverão se sentir ainda mais em 2020”.

    Segundo as signatárias, a estratégia do governo, “baseada em argumentos econômicos”, tem como alvo, entre outros, o cinema nacional, apesar do sucesso de filmes como Bacurau e A Vida Invisível, premiados pelo mundo. As medidas também visam o setor de espetáculos, com a censura de obras que tratam de temas como ditadura, sexo ou questão de gênero.

    O texto ainda enumera as nomeações recentes feitas pelo governo, que escolhe personalidades compatíveis com sua ideologia. Como exemplo, o artigo lembra as polêmicas recentes protagonizadas por nomes como Sergio Camargo, que quase dirigiu a Fundação Palmares, mesmo tendo apresentado a escravidão como algo “benéfico” para os descendentes de escravos, ou ainda Ricardo Alvim, retirado do cargo de secretário da Cultura após ter parafraseado o chefe da propaganda nazista em um discurso.

    Apesar disso, ponderam as historiadoras, “a cultura brasileira resiste”. Segundo elas, “nesses tempos de crise e de recuo da democracia, a criação impressiona por sua vitalidade e seu poder de transgressão”. Prova disso, apontam, é a indicação do filme Democracia em Vertigem para o Oscar de melhor documentário. Mas o artigo termina questionando: até quando essa resistência vai aguentar?

    🗣️💬

    Discover more from Urbs Magna

    Subscribe now to keep reading and get access to the full archive.

    Continue reading