Bolsonaro também usará o Exército contra o povo, caso protestos como os da AL ocorram por aqui por conta da aprovação da nova Previdência, que seguiu modelo chileno

23/10/2019 1 Por Redação Urbs Magna

O ditador Sebastián Piñera deixou um rastro de mais de 40 mortos nas ruas de Santiago, enquanto no Brasil o modelo da Previdência chilena acaba de ser aprovado.


A gente se prepara para usar o artigo 142, que é pela manutenção da lei e da ordem caso eles [Forças Armadas] venham a ser convocados por um dos três poderes, disse Bolsonaro

A recente onda de protestos ocorridos no Equador e no Chile acendeu o sinal de alerta no governo brasileiro, que não descarta utilizar as Forças Armadas caso o Brasil venha também venha a ser palco de “confrontos e tumultos”. A declaração foi feita pelo presidente Jair Bolsonaro nesta quarta-feira (23), em Tóquio, no Japão.

“Conversei com o ministro de Defesa sobre a possibilidade de ter movimentos como tivemos no passado, parecidos como que está acontecendo no Chile”, afirmou à Folha de S.Paulo. O chefe do Executivo citou o artigo 142 da Constituição, que delega às Forças Armadas a defesa da Pátria, a garantia dos poderes constitucionais e a sustentação “da lei e da ordem”.

“Logicamente, essa conversa ele [ministro da Defesa] leva a seus comandantes. E a gente se prepara para usar o artigo 142, que é pela manutenção da lei e da ordem caso eles [Forças Armadas] venham a ser convocados por um dos três poderes”, disse.

Para o ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Augusto Heleno, que acompanha Bolsonaro na viagem pela Ásia, a “esquerda radical” de países sul-americanos está “desesperada” para voltar ao poder.

“Neste momento na América do Sul, estamos vivendo um período difícil, em que a esquerda radical, desesperada com a perda do poder, vai jogar todas as suas fichas na mesa para conturbar a vida dos países sul-americanos e tentar retornar ao poder de qualquer maneira”, afirmou.

Nas últimas semanas, ondas violentas de protestos atingiram Equador e Chile, países governados por políticos de direita. O equatoriano Lenín Moreno foi o candidato do esquerdista Rafael Correa, mas é acusado de “estelionato eleitoral” por movimentos sociais ao assumir uma política econômica liberal no país. Já o chileno Sebastián Piñera é considerado um dos principais aliados de Jair Bolsonaro na região.

No Equador, os protestos duraram 11 dias, motivados pelo anúncio de Moreno do corte de um subsídio aos combustíveis – ao fim, a medida foi revogada, mas o saldo dos distúrbios foi de sete mortos, 1.340 feridos e 1.152 presos, segundo a Defensoria Pública equatoriana.

No Chile, as manifestações tiveram início na última sexta-feira (18), por causa do aumento do preço da tarifa do metrô de Santiago – já revogado – e seguem a todo vapor. Até o momento, ao menos 15 pessoas morreram e mais de 1400 foram detidas.

Nesta terça (22), o presidente chileno, Sebastián Piñera, anunciou uma série de medidas – que incluem aumentos em aposentadorias, inclusão de ajuda mínima a trabalhadores de baixa renda e reforma política – na tentativa de por fim aos protestos.

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