Bolsonaro está na defensiva estratégica tentando impedir a fragmentação do campo bolsonarista, diz Valério Arcary
“A tática da extrema-direita” é a “ofensiva permanente, frenética, ininterrupta”, que “parece uma loucura, mas obedece a um cálculo, a um método”, diz o professor – SAIBA MAIS
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Brasília, 11 de abril de 2025
O historiador, comentarista e cientista político Valério Arcary analisou a recente movimentação da extrema-direita em torno do Projeto de Lei (PL) da Anistia, que busca beneficiar envolvidos nos atos de 8 de janeiro.
A proposta ganhou força após dois atos pró-Jair Bolsonaro, em Copacabana (RJ) e São Paulo (SP), que, juntos, reuniram cerca de 62 mil pessoas. Arcary descreve o movimento como uma “contraofensiva” da extrema-direita, que, segundo ele, enfrenta um momento de defensiva política, mas segue articulada para minimizar danos e manter influência.
Arcary destaca, em entrevista ao podcast Três Por Quatro, do Brasil De Fato, que a extrema-direita está sob pressão jurídica, com avanços em processos que podem resultar na condenação de figuras centrais. Ele aponta que “o processo que deve consagrar deve terminar numa condenação e eventualmente eu acredito na prisão dos principais líderes, o que é um fato histórico no Brasil, porque do bando dos sete, seis são militares, quatro são militares de alta patente”.
O historiador ressalta a gravidade do cenário: “Não tem precedente general de quatro estrelas indo para a prisão e, mais importante de tudo, evidentemente, é a condenação de Bolsonaro”.
Apesar disso, Arcary observa que a conjuntura ainda é desfavorável para trabalhadores, esquerda e movimentos sociais, criando um paradoxo.
“A ofensiva jurídica isola a extrema-direita, Bolsonaro está ameaçado de ser preso”, explica, mas a extrema-direita responde com uma estratégia de “redução de danos e acumulação de forças”.
Essa tática, segundo ele, se desdobra em mobilizações nas ruas, no Congresso Nacional e em articulações internacionais, incluindo o que descreve como “uma corte de brasileiros fascistoides nos Estados Unidos”.
O historiador detalha o plano de Bolsonaro para manter sua relevância política. “Ele vai manter a candidatura dele em suspense, inclusive para evitar a diáspora, a dispersão das candidaturas de direita e extrema-direita”, afirma Arcary, destacando que essa estratégia impede a fragmentação do campo bolsonarista.
Ele cita potenciais concorrentes, como governadores de Goiás, Minas Gerais, Paraná e São Paulo, mas sugere que Bolsonaro pretende exercer controle até o último momento. “No último momento, quando for a inscrição, ele exerce o seu poder de veto e decide quem será o seu sucessor”, explica, apontando o governador Tarcísio de Freitas como o atual favorito, embora a escolha possa mudar.
Valério Arcary em entrevista ao podcast Três Por Quatro, do Brasil De Fato |10/4/2025 – Imagem reprodução
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Arcary compara essa movimentação à estratégia da esquerda em 2018, quando Lula, então preso, manteve sua candidatura em suspense. “Parece uma loucura, mas ela obedece a um método, em grande medida, ela mimetiza, imita a estratégia defensiva que a esquerda utilizamos em 2018”, argumenta.
Ele enfatiza que a extrema-direita, liderada por figuras como Bolsonaro e Trump, surpreende pelo “frenesi permanente de iniciativa política”.
O historiador também comenta episódios recentes, como a pressão do presidente da Câmara, Arthur Lira, na Comissão de Ética para cassar o mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ).
Para Arcary, isso reflete a tática da extrema-direita: “Esta ofensiva permanente, frenética, ininterrupta, parece uma loucura, mas obedece a um cálculo, a método”. Ele vê o PL da Anistia e as manifestações como partes de um esforço para proteger líderes bolsonaristas e manter a base mobilizada.
A análise de Arcary ocorre em um momento de alta polarização política no Brasil, com o Judiciário avançando em investigações contra os responsáveis pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
O PL da Anistia, defendido por aliados de Bolsonaro, é visto como uma tentativa de blindar condenados e manter a narrativa de vitimização da extrema-direita.
Enquanto isso, o ex-presidente enfrenta inquéritos que podem levá-lo à prisão, o que torna suas estratégias de mobilização e articulação ainda mais cruciais para sua sobrevivência política.
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