O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PL), em foto de Ueslei Marcelino / Reuters, e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, em foto de Dida Sampaio / Estadão. Ao findo, deputados federais na Câmara e. à direita, o jornalista Janio de Freitas | Sobeposição de imagens
![]()
PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO
Ele e “mercenários de Lira”, gente “especializada em política como negócio imoral”, escreve Janio de Freitas sobre aprovação da “urgência do projeto da mineração homicida em deboche ao protesto liderado por Caetano”
“São muitas as formas de milícias. Com meios e áreas diversos. Mas convergentes no alvo, na conivência e no ganho“, escreve o jornalista Janio de Freitas, na Folha de S. Paulo, neste sábado (13/3). “Aprovaram a urgência do projeto da mineração homicida em deboche ao protesto liderado por Caetano. Fazem o que lhes dá vantagens“, escreve Janio de Freitas. “Bolsonaro e os deputados mercenários sob o domínio de Arthur Lira compõem uma milícia especializada em política como negócio imoral“.
“Todas as propostas que partem de Bolsonaro ou mobilizam o seu empenho têm alguma ordinarice, de seu interesse pessoal, como motivação básica“, escreve Freitas. A aceitação da tragédia nacional pela quase total coletividade dos influentes, civis e militares, é ela mesma uma tragédia maior, por sua propagação incorrigível no futuro. Tornar legal o garimpo em terras indígenas e a liberação prática do desmatamento são favorecimentos diretos às milícias criminais, que invadem as áreas preservadas, e ao empresariado que toma áreas imensas para plantio de soja ou criação de gado“, afirma no texto.
Segundo o jornalista, tudo já estava preparado, desde a “imobilização do Ibama, da Funai e de tantas outras entidades de controle e estudo“, com a “súcia dos dirigentes nomeados“. E agora “o governo e os mercenários da Câmara procuram oficializar” com pressa, ante a iminência “de derrota eleitoral“, entrando “na fase culminante do Plano Pró-Milícias“.
“Bolsonaro e os deputados mercenários sob o domínio de Arthur Lira compõem uma espécie de milícia especializada em política como negócio imoral. Fizeram aprovar a urgência para o projeto da mineração homicida, a meio da semana, em deboche ao protesto de cantores e atores liderado, diante e dentro do Congresso, por Caetano“, afirma Janio de Freitas, explicando que o artista, “só Caetano, é uma bandeira“, por si só tem uma influência valiosa por sua trajetória como “músico, poeta e escritor“. E os “mercenários” ainda “advertiram a população: “Não se metam nos nossos negócios, fazemos o que nos dê vantagens”, lembra o jornalista. “É isso mesmo“, diz sobre o que ele acabou de escrever, como se reafirmasse o que disse ante uma eventual incredulidade do leitor.
“A propósito, nunca se saberá o quanto custa a liberação, que Arthur Lira empurra na Câmara, para 69 cassinos, 6.000 bingos e 300 bicheiros empresariais“, diz aproveitando a deixa do tema para mostrar o que tem sido a Câmara dos Deputados nos últimos anos.
“No governo [durante a ditadura do general João Batista] Figueiredo, o lobista que vinha tentar tal liberação era um general americano, reformado para presidir cassino de Las Vegas. Seu representante permanente aqui era o então deputado Amaral Neto, que organizava expedições remuneradas para cassinos nos EUA e no Uruguai“, explica o jornalista, para os leitores menos entrosados com a história por trás da ‘estória’. “O lobista de agora é também frequentador sistemático de Brasília, onde esteve pouco antes de aparecer o atual projeto. Só uma notinha, bem discreta, registrou essa estada profícua“.
“Assim como a defesa de Bolsonaro para entregar as terras indígenas a milícias e ao contrabando, a defesa dos cassinos e da jogatina é mentirosa“, prossegue Freitas acrescentando que “o potássio para suprir a falta do produto russo não está na Amazônia, onde é pouco e de difícil extração. Está em Sergipe, Minas e São Paulo“. Para o jornalista “o jogo clandestino não acabará, porque seus controladores não têm com que construir cassinos reais. E os impostos não resolverão nada: mesmo nas contas oníricas do relator Felipe Carreras, do PSB de Pernambuco, mal passam de insignificantes R$ 4,5 bi“.
Sobre os interesses pessoais de Bolsonaro, Janio de Freitas escreve “No pequeno varejo não é diferente. “Cancún em Angra”, onde Bolsonaro tem casa; fim das multas eletrônicas nas estradas, onde Bolsonaro é recordista na Rio-Angra; fim do imposto de importação de jet-ski enfiado em dispensa, também malandra, para “veículos aéreos sem propulsão a motor”; e por aí vai, a exemplo do gasto de R$ 1,5 milhão por dia no cartão de crédito da Presidência, durante férias em dependência militar”.
