Tensões no clã político brasileiro expõem negociações controversas por perdão judicial, enquanto protestos e projetos de lei reacendem debates sobre impunidade e justiça para vítimas de regimes autoritários
Brasília, 25 de setembro de 2025
O ex-presidente Jair Bolsonaro estaria pressionando aliados para convencer seu filho, o deputado federal intercontinental Eduardo Bolsonaro, a cessar manifestações públicas que poderiam sabotar delicadas negociações políticas.
O condenado, atualmente em prisão domiciliar em Brasília, teme que as declarações inflamadas do filho comprometam avanços em projetos de lei que visam uma drástica redução de sua pena, originalmente fixada em 27 anos e três meses pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por crimes como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Bolsonaro instruiu interlocutores a transmitir a Eduardo a mensagem de que ele deve “fechar a boca” para evitar prejuízos às articulações no Congresso Nacional.
Essa orientação surge em um momento de tensão familiar e política, agravada pela proibição de contato direto entre pai e filho, imposta pelo ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF.
A notícia espõe fissuras no bolsonarismo após a condenação histórica de Bolsonaro pela Primeira Turma do STF em 11 de setembro.
Em contraste, Eduardo Bolsonaro, radicado nos Estados Unidos desde março de 2025, tem adotado uma postura de confronto aberto, afirmando que o pai “não está em posição de avaliar a situação política” por se sentir um “refém”.
O deputado ecoa opiniões de aliados, como o blogueiro Paulo Figueiredo, que descreve Bolsonaro como “uma vítima presa, doente e incapaz de decidir”, incapaz de negociar “os termos da própria soltura”.
Eduardo acusa a Procuradoria-Geral da República (PGR) de perseguição, enquanto pressiona por sanções internacionais contra autoridades brasileiras.
O cerne da controvérsia reside no Projeto de Lei da Anistia (PL 2.858/2022), apelidado de “PL da Dosimetria”, que tramita na Câmara dos Deputados e promete uma redução polêmica das penas impostas a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 em Brasília.
Para Bolsonaro, o texto poderia cortar sua sentença para apenas 1 ano e 7 meses de prisão domiciliar de luxo, evitando regime fechado inicial e mantendo-o inelegível, mas livre para influenciar o cenário político.
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O PL impede a sobreposição de punições para crimes conexos, beneficiando não só o ex-presidente, mas também cerca de 144 presos, 44 em domiciliar e 500 foragidos relacionados aos eventos.
O projeto, autorizado pelo próprio PL (partido de Bolsonaro), é visto como “feito sob medida” pelo líder petista Lindbergh Farias, que o critica por enfraquecer a accountability democrática.
Críticos comparam as manobras a “táticas de mafiosos”, argumentando que um acordo tão brando desrespeita as vítimas da ditadura militar de 1964-1985, regime defendido abertamente por Bolsonaro.
Manifestações contra o PL eclodiram em 21 de setembro em mais de 30 cidades, com gritos de “Não à anistia!” e críticas à PEC da Blindagem, que ampliaria imunidades parlamentares.
É notória a resistência de pelo menos seis ministros do STF, como Gilmar Mendes e Cármen Lúcia, que veem o perdão como inconstitucional.
Protestos semelhantes ocorreram em atos convocados pelo ex-presidente em Copacabana (16 de março) e na Esplanada dos Ministérios (7 de maio), onde ele pediu “amnistia já” para os envolvidos no 8 de janeiro.
A defesa de Bolsonaro já protocolou pedidos ao STF para revogar medidas cautelares, incluindo a proibição de redes sociais, argumentando que a denúncia contra Eduardo e Figueiredo por coação esvazia a necessidade de restrições.
A Polícia Federal prepara uma sala especial para o ex-presidente em Brasília, mas estima execução da pena só até dezembro, após recursos.
Enquanto isso, o senador Flávio Bolsonaro, irmão de Eduardo, defende o “pacote da paz” no Congresso, incluindo anistia ampla.
Analistas internacionais veem a condenação de 27 anos como marco contra o autoritarismo, mas alertam para reações de Donald Trump, aliado de Bolsonaro, que cogita retaliações comerciais.
No Brasil, a oposição de esquerda exige a prisão imediata de Bolsonaro e de militares responsáveis, como Walter Braga Netto (condenado a 26 anos) e Augusto Heleno (21 anos), para honrar as vítimas da ditadura e blindar a democracia.
“A pacificação não pode vir às custas da impunidade”, disse o Estadão em editorial recente . A saga familiar e judicial dos Bolsonaro ilustra o caos na extrema-direita, dividida entre pragmatismo e radicalismo, enquanto o Brasil debate os limites da justiça restaurativa.








É isso aí> PAPUDAAAA pra Bolsonaro e bolsonaristas
Sem Anistia! Esse clã já prejudicou muito essa Nação pacifica.
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