Tensões familiares e partidárias expõem fissuras no bolsonarismo, com embates públicos que podem comprometer estratégias eleitorais futuras e articulação legislativa em meio a condenações judiciais
Brasília, 26 de setembro de 2025
O ex-presidente Jair Bolsonaro manifesta sua maior preocupação não com o tarifaço, mas com Valdemar Costa Neto, presidente nacional do Partido Liberal (PL), segundo aliados que o visitaram nas últimas semanas.
A revelação, publicada inicialmente no blog de Malu Gaspar no O Globo, destaca como os ataques incessantes do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nas redes sociais estão gerando rachas profundos no bolsonarismo, ameaçando a articulação por uma anistia no Congresso Nacional e a viabilidade de uma chapa competitiva para as eleições presidenciais de 2026 – possivelmente com um membro da família na cabeça ou na vice.
De acordo com interlocutores de Bolsonaro, condenado a 27 anos e três meses de prisão por trama golpista investigada pela Polícia Federal (PF), o ex-mandatário pediu insistentemente que Eduardo modere sua beligerância online.
Proibido de se comunicar diretamente com o filho desde julho por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro usa visitas para transmitir apelos de trégua.
A tensão explodiu na semana passada, quando Eduardo e Valdemar trocaram farpas pela imprensa: o presidente do PL declarou à Folha de S. Paulo que uma candidatura de Eduardo em 2026 sem aval do pai poderia “matar seu pai”.
Em resposta, o deputado chamou a declaração de “canalhice” em conversa com a colunista Bela Megale, do O Globo, e exigiu desculpas públicas.
Valdemar Costa Neto rebateu duramente, afirmando a aliados que “canalhice é xingar o próprio pai e pensar que tem votos. Os votos são do seu pai, não seus”, citando diálogos divulgados pela PF em que Eduardo ofende Jair Bolsonaro.
Nos bastidores, o dirigente do PL atribui as queixas do deputado a questões financeiras: Eduardo, em autoexílio nos Estados Unidos (especificamente em cidades como Dallas e Houston, no Texas), reclama de desigualdades nas verbas partidárias destinadas a ele e à madrasta, Michelle Bolsonaro, presidente do PL Mulher.
Um aliado de Valdemar ironizou: “O que ele quer que a gente faça? Fique mandando dinheiro para ele lá nos Estados Unidos? Michelle é presidente do PL Mulher e o partido tem cotas para gastar com candidaturas femininas”.
O bloqueio de contas imposto pelo STF torna impossível o envio de recursos públicos, agravando o atrito.
O entorno de Eduardo contra-argumenta, lembrando que o PL o nomeou secretário de Relações Institucionais e Internacionais após a vitória de Donald Trump nos EUA, prometendo estrutura no exterior que nunca se materializou.
Essa falta de suporte também pesou durante a campanha de Eduardo por sanções contra autoridades brasileiras, o que culminou em denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) por coação à Justiça.
Interlocutores de Valdemar admitem irritação, mas insistem que os ataques de Eduardo não abalam a lealdade ao ex-presidente.
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Atualizações recentes reforçam a gravidade do cenário. Em 20 de setembro, O Estado de Minas noticiou que Eduardo Bolsonaro subiu o tom contra Valdemar em postagem no X (antigo Twitter), compartilhando a reportagem da Folha e acusando o presidente do PL de ser um “aproveitador da ocasião” com “mãos sujas”, em defesa da direita.
A matéria destaca que Costa Neto espera Bolsonaro como candidato em 2026, mas, se inelegível, caberá ao ex-presidente escolher o substituto – e Eduardo “tem que obedecer porque os votos que ele tem são por causa do pai”.
Em 22 de setembro, o g1 reportou que a PGR denunciou Eduardo por coação em processo judicial para reverter a condenação de Bolsonaro pelo golpe de Estado, citando postagens nas redes onde o deputado comemora sanções americanas, como a suspensão de vistos de oito ministros do STF em julho.
Eduardo e seu aliado Paulo Figueiredo negam crimes, invocando a Primeira Emenda da Constituição dos EUA, mas o procurador-geral enfatiza que as ações visam “garantir que apenas ele e Figueiredo tivessem acesso a autoridades americanas”.
Postagens recentes no X, como a do usuário @ZatonioLahud, compartilham o artigo original do O Globo, sinalizando que o debate segue aquecido nas redes.
Aliados bolsonaristas, como em thread de @GugaNoblat de 14 de setembro, criticam a hipocrisia da extrema-direita, resgatando montagens e ataques passados, enquanto perfis como @eduvampeta (12 de setembro) questionam o timing dos embates contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), visto como possível sucessor.
Esses conflitos expõem fissuras que podem custar caro ao bolsonarismo: a articulação pela anistia no Congresso depende de coesão no PL, e uma chapa familiar em 2026 exige unidade.
Enquanto Bolsonaro permanece isolado em Brasília, seus aliados temem que a beligerância de Eduardo nos EUA e nas redes acelere sanções internacionais e judicializações, como as medidas de Moraes que já proibiram o ex-presidente de acessar plataformas digitais e se comunicar com investigados.
A mais recente repercussão, de 22 de setembro no g1, indica que o cerco se fecha, com a denúncia da PGR podendo agravar a pena de Eduardo e complicar a estratégia familiar.







