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Bolsonaro é alvo de busca e apreensão da PF, tem celular apreendido, é proibido de usar redes e vai usar tornozeleira

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    Ex-presidente
    Ex-presidente Jair Bolsonaro participa de um comício na Avenida Paulista, em São Paulo, Brasil, em 29 de junho de 2025 | Foto: Miguel SCHINCARIOL/AFP


    Ex-presidente enfrenta operação com medidas cautelares, incluindo uso do aparelho de monitoramento, proibição de acesso a plataformas e restrições de contato com embaixadas. Entenda os detalhes da ação autorizada pelo STF



    Brasília, 18 de julho de 2025

    Na manhã desta sexta-feira, 18 de julho de 2025, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) em Brasília, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

    A ação incluiu mandados de busca e apreensão em sua residência no bairro Jardim Botânico e em endereços ligados ao Partido Liberal (PL), além de medidas cautelares que impõem restrições severas ao ex-mandatário.

    Entre as determinações, Bolsonaro deverá usar tornozeleira eletrônica, está proibido de acessar redes sociais, deve permanecer em recolhimento domiciliar entre 19h e 7h e nos finais de semana, e não pode se comunicar com embaixadores, diplomatas estrangeiros, outros réus ou investigados pelo Supremo, nem se aproximar de embaixadas.

    As medidas foram ordenadas pelo ministro Alexandre de Moraes, no âmbito de investigações relacionadas a tentativa de golpe de Estado em 2022.

    A operação da PF é parte de um desdobramento de investigações que apuram a atuação de Bolsonaro e aliados em supostas tentativas de desestabilizar as instituições democráticas brasileiras após as eleições de 2022.

    O ex-presidente é réu em uma ação penal no STF, acusado de crimes como tentativa de golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa.

    A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a condenação de Bolsonaro em 14 de julho de 2025, com base em evidências que apontam sua liderança em uma organização voltada a desacreditar o sistema eleitoral e articular medidas de exceção.

    Além das buscas em sua residência e na sede do PL, as medidas cautelares impostas a Bolsonaro refletem a gravidade das acusações.

    A proibição de usar redes sociais visa limitar sua influência pública, enquanto a restrição de contato com embaixadas e diplomatas parece estar ligada a investigações sobre possíveis articulações internacionais, incluindo a atuação de seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro, nos Estados Unidos.

    Eduardo, que está licenciado do mandato e reside nos EUA, é investigado por supostamente tentar influenciar o governo de Donald Trump para impor sanções contra autoridades brasileiras, como o ministro Alexandre de Moraes.

    A operação gerou forte repercussão. Postagens em redes sociais de apoiadores de Bolsonaro, como o ex-ministro Gilson Machado e o deputado Sostenes Cavalcante, classificaram as medidas como “perseguição” e “injustiça”, alegando que não há provas concretas contra o ex-presidente.

    Por outro lado, figuras como o jornalista Guga Noblat destacaram a severidade das restrições, interpretando-as como um avanço nas investigações do STF.

    O governo brasileiro, por meio de declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, classificou as ações de Bolsonaro e aliados como uma “chantagem” contra a soberania nacional, especialmente após a carta de Donald Trump pedindo o fim do processo contra o ex-presidente.

    Trump, em 17 de julho, publicou uma carta criticando a Justiça brasileira e ameaçando impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, o que intensificou o clima de tensão política.

    Bolsonaro já foi alvo de outras operações da PF, como a de 2023, que investigou fraudes em cartões de vacinação contra a Covid-19, e a Tempus Veritatis, em 2024, que apurou a elaboração de uma minuta golpista para mantê-lo no poder após a derrota eleitoral.

    Documentos encontrados na casa do ex-ministro Anderson Torres e depoimentos, como o do general Freire Gomes, reforçam a conexão de Bolsonaro com planos de intervenção no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    A imposição da tornozeleira eletrônica e a proibição de redes sociais marcam um novo capítulo na série de restrições ao ex-presidente, que também teve seu passaporte apreendido em operações anteriores.

    As medidas cautelares, segundo fontes do STF, buscam evitar que Bolsonaro interfira nas investigações ou mobilize apoiadores para atos antidemocráticos.

    As restrições impostas a Bolsonaro refletem a intensificação do embate entre o ex-presidente e o Judiciário brasileiro.

    Enquanto seus apoiadores veem as ações como uma tentativa de silenciá-lo politicamente, críticos apontam que as medidas são necessárias para proteger a democracia, diante de evidências de articulações golpistas.

    O julgamento de Bolsonaro no STF, ainda sem data definida, será decisivo para determinar sua responsabilidade nos eventos investigados.



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