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Bolsonaro reclama de dor de cabeça por ruído de gerador na carceragem da prisão na PF

    Condenado relata impactos na saúde durante detenção na Superintendência em Brasília, ampliando debates sobre condições carcerárias para condenados de alto perfil

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    Mulheres comemoram
    Mulheres comemoram prisão de Bolsonaro em frente à Superintendência da Polícia Federal, em Brasília / Foto: Breno Esaki/Metrópoles

    Brasília, 05 de dezembro 2025

    O ex-presidente Jair Bolsonaro enfrenta agora um novo desafio em sua detenção: dores de cabeça persistentes atribuídas ao ruído incessante de um gerador posicionado ao lado de sua cela na Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília.

    A queixa, revelada nesta sexta-feira (5/dez), ganhou destaque ao ser repassada pela equipe médica e jurídica do condenado, destacando as dificuldades de adaptação em um ambiente projetado para segurança, mas criticado por falhas em conforto básico.

    De acordo com relatos obtidos pela CNN Brasil, o barulho constante do equipamento, essencial para o abastecimento de energia da unidade, tem se tornado uma fonte de incômodo diário para Bolsonaro, que ocupa uma sala de estado-maior de cerca de 12 metros quadrados.

    Equipada com cama de solteiro, frigobar, ar-condicionado e acesso a TV aberta, a cela oferece condições superiores às de presídios comuns, como a Complexo Penitenciário da Papuda, mas restrições impostas após um episódio de circulação não autorizada no dia 23 de novembro limitam o ex-presidente a permanecer confinado no espaço.

    Películas escuras instaladas nas portas visam preservar a privacidade, mas não atenuam o ruído externo.

    A defesa de Bolsonaro já havia sinalizado preocupações com o bem-estar físico desde o início da detenção preventiva, em 22 de novembro, convertida em pena definitiva pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 25 de novembro.

    O episódio que precipitou a transferência da prisão domiciliar para a PF envolveu a violação da tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, justificada pelo próprio condenado como uma “alucinação” e “paranoia” induzidas por medicamentos como pregabalina e sertralina – usados para tratar ansiedade e dor crônica, conforme análise da psiquiatra Natalia Travenisk Hoff em reportagem do O Globo.

    Atualizações recentes agravam o quadro. Em 27 de novembro, Bolsonaro sofreu uma crise intensa de soluços e refluxo, sequelas da facada sofrida em 2018 durante a campanha eleitoral, que o impediu de dormir e exigiu atendimento remoto pelo cardiologista Leandro Echenique, conforme noticiado pelo Valor Econômico.

    Seus filhos, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o vereador Jair Renan (PL-SC), relataram o episódio nas redes sociais, e o senador mencionou uma recaída noturna em 25 de novembro, segundo o g1.

    Outra complicação surgiu com a alimentação: as “quentinhas da Dona Michelle” preparadas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro viraram ponto de tensão, pois a PF exige laudo médico para autorizar a dieta externa, temendo riscos de qualidade, como detalhado pelo O Globo.

    Essas queixas não são isoladas e ecoam um histórico de contestações às condições de detenção de Bolsonaro.

    Em 22 de novembro, o ministro Alexandre de Moraes rejeitou pedido de prisão domiciliar humanitária, apesar de laudos médicos que citavam “complicações permanentes” da facada – incluindo problemas gastrointestinais, pulmonares e neurológicos –, conforme cobertura da BBC News Brasil.

    Aliados protocolaram novo requerimento em 28 de novembro, alegando que o ambiente prisional não suporta tratamentos rotineiros, mas especialistas como o professor de direito penal Thiago Bottino veem pouca chance de concessão, dada a conduta de descumprimento de medidas cautelares, segundo a Folha de S. Paulo.

    Para contextualizar, o caso remete a episódios anteriores na trajetória judicial de Bolsonaro. Em agosto de 2025, ele já havia sido colocado em prisão domiciliar por descumprir restrições no inquérito da trama golpista, juntando-se a cerca de 235 mil detentos nessa modalidade no Brasil – um em cada quatro presos, conforme dados da Agência Pública.

    Essa medida, aplicada a ex-presidentes como Michel Temer e Fernando Collor, contrasta com os 580 dias de Lula na carceragem da PF em Curitiba, destacando desigualdades no sistema.

    A linha do tempo do processo, iniciada com o indiciamento pela PF em 21 de novembro de 2025, culminou na condenação histórica por golpe, como mapeado pelo g1.

    A adaptação à rotina na PF tem sido gradual, com visitas autorizadas a Michelle e aos filhos – Flávio, Carlos e Jair Renan –, mas limitadas a horários rígidos, gerando críticas de aliados como Fabio Wajngarten, que chamou as restrições de “humilhação” em postagem no X.

    Relatos da CNN Brasil indicam abalo emocional, dificuldades para dormir e uso de caça-palavras para distração, enquanto o STF avalia opções como transferência para a Papuda ou alojamento militar – esta última rechaçada pelo general Tomás Ribeiro Paiva, comandante do Exército, por risco de politização, conforme o O Globo.

    Resta aguardar se o ruído do gerador – ou queixas semelhantes – impulsionará mudanças no cumprimento da pena.

    Retrato de Alexandr Wang discutindo o futuro da colaboração homem-IA, capturado por Ethan Pines para Forbes.



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