📷 Jair Bolsonaro em prisão domiciliar, em imagem de arquivo / Foto: WILTON JUNIOR/ESTADÃO CONTEÚDO | Ao lado, um modelo de pistola Glock 9 mm, mesma registrada em nome do ex-presidente / reprodução web | O Ministro do STF Alexandre de Moraes e o procurador-geral da República Paulo Gonet / Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
| Brasília (DF)
24 de junho de 2026
O ex-presidente Jair Bolsonaro prestou depoimento à Polícia Civil do Distrito Federal na terça-feira (23/jun) e afirmou que não teve intenção de descumprir a lei ao solicitar o reparo de uma pistola registrada em seu nome.
A arma foi apreendida durante uma blitz com um de seus seguranças, enquanto ele cumpre prisão domiciliar determinada pelo ministro Alexandre de Moraes do STF.
O episódio ocorre na reta final do prazo de 90 dias da medida humanitária e pode influenciar a decisão sobre sua continuidade.
Na segunda-feira (15/jun), uma pistola Glock 9mm registrada em nome de Jair Bolsonaro desde 2019 foi apreendida com o militar Estácio Leite da Silva Filho, segurança do ex-presidente, durante uma blitz em Brasília, a cerca de 33 quilômetros de sua residência.
O militar informou que transportava a arma para reparo e pretendia devolvê-la no dia seguinte.
Jair Bolsonaro foi ouvido presencialmente no condomínio onde cumpre a prisão domiciliar.
Segundo sua defesa, a equipe de segurança retirou o percussor da pistola sem seu conhecimento prévio, medida adotada por causa de medicações psiquiátricas que afetam sua cognição.
O ex-presidente teria notado o mau funcionamento da arma e solicitado o conserto com a única finalidade de identificar a falha e realizar a manutenção necessária.
O depoimento reforça a versão de boa-fé apresentada pela defesa, mas o caso chega em momento sensível.
O prazo da prisão domiciliar vence nesta semana e o ministro Alexandre de Moraes avalia se prorroga a medida ou determina o retorno de Jair Bolsonaro ao sistema prisional.
O magistrado determinou um prazo de 48 horas para que o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifeste sobre a apreensão da arma.
O parecer do chefe da PGR servirá de base para que o magistrado avalie se o episódio configura uma violação das regras do regime prisional.
A manifestação coincide com o término do prazo de 90 dias da prisão domiciliar humanitária concedida a Bolsonaro para o tratamento de uma broncopneumonia.
Bolsonaro alegou ainda que mantinha a glock em sua residência porque “não podia ficar desarmado”. Contudo, a Lei de Execução Penal estipula que a posse indevida de instrumento capaz de ofender a integridade física alheia por parte de apenados constitui falta grave.
Caso o entendimento da PGR e do STF curve-se para o descumprimento das obrigações legais, Bolsonaro poderá perder o direito aos benefícios do regime atual e sofrer regressão de pena.
O ex-presidente corre o risco de retornar ao regime fechado, no complexo penitenciário conhecido como Papudinha, que já se encontra com a estrutura preparada para recebê-lo de volta.
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