Bolsonaro dará o golpe que ele anunciou em 1999, diz jornalista. “Já começou” e “não foi por falta de aviso”

O presidente Jair Bolsonaro, em foto de Eraldo Peres / AP


PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO

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Bernardo Mello Franco faz retrospectiva de todas as declarações polêmicas do presidente, desde o início de sua vida pública até a fala recente sobre “todo cidadão de bem” ter “sua arma de fogo para resistir, se for o caso, a um ditador de plantão”

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro (PL), em grande desvantagem nas pesquisas e sem tendência de que este quadro mude até outubro, mês das eleições, dará o golpe contra a democracia para se perpetuar no poder assim que LULA for declarado vencedor do pleito, diz Bernardo Mello Franco, no jornal O Globo.

O jornalista fez uma retrospectiva das principais declarações de Bolsonaro ao longo de sua trajetória política, apontando que o golpe foi anunciado no ano de 1999. De lá para cá, ocorreu uma sequência de falas que se conectam com a intenção declarada pelo então deputado federal, ainda no século passado.

Mello Franco diz que Bolsonaro “é um golpista” e “nunca escondeu“, tendo sido, por 28 anos na Câmara, “símbolo do extremismo de direita“. No terceiro mandato, Bolsonaro pregou “o fechamento do Congresso e o fuzilamento de FHC“, quando foi questionado sobre o que faria se chegasse ao Planalto e respondeu que “daria golpe no mesmo dia”.

Disse que “o Brasil precisava de uma guerra civil, mesmo que isso provocasse a morte de inocentes” e afirmou, segundo transcrição do jornalista, que “através do voto, você não vai mudar nada neste país. Nada, absolutamente nada”. Mais tarde, “numa trapaça da História“, diz Mello Franco, “o inimigo da democracia se valeu dela para chegar ao poder“.

Em 2018, Bolsonaro “disse que as minorias teriam que se curvar às maiorias, renovou ameaças ao Judiciário e à imprensa“. E prometeu “uma limpeza nunca vista”, acrescentando que mandaria a “petralhada” para a “ponta da praia”, que era o local usado pela ditadura para ocultar cadáveres de presos políticos.

O jornalista lembra que “nada disso impediu que ele fosse eleito com 57 milhões de votos e amplo apoio da elite econômica“. E “ao subir a rampa, Bolsonaro começou a pôr em marcha o plano anunciado em 1999“. Mello Franco lembra do envolvimento de seus generais nos ataques às instituições, que a mídia revelou nos últimos dias, e de “sua campanha incessante contra o sistema eleitoral”.

Bolsonaro sabe que as urnas eletrônicas são invioláveis” e “sua ofensiva“, explica Mello Franco, “faz parte de uma estratégia para se perpetuar no poder“.

O jornalista lembra que “no último 7 de Setembro, o bolsonarismo promoveu um ensaio geral do golpe” dando “novos passos no caminho da ruptura“. Na ocasião em que Bolsonaro, “atacou o Supremo, questionou a segurança das urnas e definiu as eleições como uma “farsa patrocinada pelo TSE”, disse: “Só saio preso, morto ou com vitória”.

Por fim, Mello Franco adverte: “Faltam 140 dias para o primeiro turno. Em desvantagem nas pesquisas, Bolsonaro eleva a cada dia o tom das ameaças. Na quarta-feira, fez um chamado à sublevação armada. “Quero que todo cidadão de bem possua sua arma de fogo para resistir, se for o caso, a um ditador de plantão”, discursou. Na retórica dos autocratas, o ditador é sempre o outro“.

O jornalista completa: “Depois de encenar mais um falso recuo, o capitão voltou a conspirar à luz do dia. Nas últimas semanas, sua ofensiva ganhou apoio explícito de porta-vozes da caserna. O ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, fez novas provocações ao TSE. O comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, endossou o discurso de questionamento das urnas”.

Mello Franco lembra também que Ciro Gomes fez um alerta ao dizer que “há indícios claros de que está em curso um golpe contra a democracia, cujo alvo são as próximas eleições. Ou a sociedade e as lideranças políticas tomam providências já ou chegaremos a um ponto sem retorno”.

Por fim, o jornalista ‘declara’ que “o golpe de Bolsonaro já começou” e que “se a democracia brasileira sucumbir, não será por falta de aviso“.

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