Bolsonaro cria narrativa de que prisão é plano para eliminá-lo “sem rastros”, pois Moraes tem algo pessoal contra ele
Ex-presidente diz que retirada de carros blindados e agentes de segurança são tentativas de facilitar sua execução: “Eu sou um paralelepípedo no sapato deles” – SAIBA MAIS
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Brasília, 10 de abril de 2025
Em uma entrevista ao podcast Direto de Brasília na quarta-feira (9/abr), o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou temer ser assassinado caso seja preso, sugerindo que sua detenção facilitaria um plano para “eliminá-lo” sem deixar rastros.
“Na verdade, eles querem me matar. Querem dar um fim em mim. Coloca na cadeia e é fácil eliminar alguém sem deixar provas. Eu sou um paralelepípedo no sapato deles”, declarou Bolsonaro.
As falas intensificam a retórica de perseguição política que o ex-mandatário vem adotando diante das múltiplas investigações que enfrenta no Supremo Tribunal Federal (STF).
Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado em 2022, voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, do STF, apontando-o como uma figura central em uma suposta vendeta pessoal.
“Parece que é algo pessoal do Alexandre de Moraes. Não consigo entender outra coisa”, disse ele.
O ex-presidente negou envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023, quando apoiadores radicais invadiram as sedes dos Três Poderes, e comparou a atuação de Moraes à do ex-juiz Sérgio Moro no caso de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sugerindo um paralelo entre os processos judiciais.
A narrativa de ameaça à sua vida não é nova. Em 15 de março, Bolsonaro já havia expressado temor de ser envenenado na prisão durante participação no podcast Flow.
“Se me prenderem, vão me matar. Não tenho a menor dúvida de que serei envenenado”, afirmou na ocasião, reforçando que sua prisão seria uma estratégia para silenciá-lo.
Ele também destacou sua trajetória, mencionando o atentado à faca sofrido em 2018 como um “milagre” e comparando-se a Donald Trump, que sobreviveu a uma tentativa de assassinato.
Bolsonaro durante entrevista ao podcast Direto De Brasília 9.4.2025 – Imagem reprodução
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Bolsonaro reiterou essas preocupações durante uma manifestação em São Paulo, onde pediu anistia aos envolvidos no 8 de janeiro.
Ele alegou que o inquérito sobre o suposto golpe “não deveria sequer existir” e que sua prisão seria uma injustiça. O ex-presidente insiste em se apresentar como alvo de uma conspiração e faz críticas a Moraes como parte de um discurso recorrente.
Investigações da Polícia Federal (PF) apontam Bolsonaro como líder de uma organização criminosa que planejou subverter o resultado das eleições de 2022, incluindo um suposto plano para assassinar Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o próprio Moraes.
O relatório da PF, enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR) em novembro de 2024, também menciona ajustes feitos por Bolsonaro em uma minuta de decreto golpista, apresentada aos comandantes militares.
Apesar das acusações, Bolsonaro mantém que não cometeu crimes. Em 29 de março, o ex-presidente questionou em entrevista: “Cadê meu crime?”, descartando a possibilidade de pedir asilo nos EUA e afirmando que uma prisão seria “o fim” de sua vida aos 70 anos.
O ex-presidente também critica medidas do governo Lula, como a retirada de carros blindados e agentes de segurança, que ele interpreta como tentativas de facilitar sua execução.
O contexto das declarações ocorre em um momento delicado: o STF está próximo de julgar denúncias que podem torná-lo réu em definitivo, enquanto sua base busca pressionar o Congresso por anistia aos atos de 8 de janeiro.
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