Sobre o encontro, o presidente do TSE disse que seu “dever de imparcialidade” o “impede de comparecer a eventos” organizados por pré-candidatos e candidatos”
O presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), convidou o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), que também é o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), ministro Edson Fachin, para uma reunião em que pretende discutir sua tese de que há fraude nas eleições brasileiras. O magistrado recusou o convite e alegou que seu “dever de imparcialidade” o “impede de comparecer a eventos” organizados por pré-candidatos e candidatos”.
O encontro será realiado com embaixadores nesta segunda-feira (18/7), no Palácio do Alvorada, informam as jornalistas Jussara Soares e Eliane Oliveira, no jornal O Globo. O atual chefe do Executivo brasileiro foi aconselhado por assessores a convocar presidentes de tribunais superiores para a reunião no qual ele disse que pretendia apresentar a tese, nunca comprovada.
Luiz Fuz, que preside o Supremo, também foi convidado, mas não confirmou presença, além dos presidentes do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Humberto Martins, que afirou que vai; do TST (Tribunal Superior do Trabalho), Emmanoel Pereira; e do TCU (Tribunal de Contas da União), Ana Arraes.
Bolsonaro tem afirmado que é o TSE que tem se recusado a dialogar e a acolher sugestões feitas pelas Forças Armadas para o processo eleitoral. Ele disse que apresentará um power point com documentos sobre os resultados das eleições de 2014, 2018 e 2020 para, e argumentar que quer “defender eleições limpas”.
Na semana que passou, Bolsonaro disse em uma live: “Vou falar sobre as eleições de 2014, documentado, vou falar das eleições de 2020, em especial os números apurados em São Paulo, falar de 2018 também, documentado, documentos do próprio TSE. Nada vai ser inventado da minha parte, porque o mundo tem que saber como é o sistema eleitoral brasileiro“.
Na terça, o presidente voltou ao assunto, durante conversa com apoiadores no Palácio da Alvorada: “Eu marquei pra segunda-feira um encontro com 50 embaixadores ou mais para discutirmos sobre segundo turno de 2014. (…) Vamos mostrar 2014 e eleições de 2018, onde eu ganhei no primeiro turno. Agora eu falo isso, não é da boca para fora, é comprovado“, afirmou, de acordo com a transcrição de sua fala, feita pelo jornal.
Contudo, Bolsonaro volta a reafirmar suas declarações sobre o assunto, as quais foram iniciadas em 2020, quando prometeu apresentar tais provas, mas nunca o fez. Atualmente, o presidente alega que a Corte eleitoral ignora questionamentos enviados pelos militares e que não abre espaço para um diálogo com os técnicos das Forças.
Bolsonaro fala sobre a intenção de marcar o encontro há mais de um mês e seus assessores prepararam um arsenal de documentos para municiar o presidente na conversa.
O material inclui decisões e declarações de ministros do Supremo Tribunal Federal que, na visão do Palácio do Planalto, demonstrariam parcialidade da Corte em relação ao chefe do Executivo e a seus apoiadores.
A jornalista Bela Megale disse, recentemente, que integrantes do governo atuaram para demover Bolsonaro da ideia, sem sucesso.
