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Bolsonaro desrespeitou medidas cautelares consciente, revelam dados de celulares apreendidos pela PF

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    Ex-presidente
    Ex-presidente Jair Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado no Brasil, assiste às manifestações em seu favor por meio de um smartphone e usando uma tornozeleira para não fugir do País / Ao lado, as bandeiras de Israel e dos EUA destoam das cores da bandeira brasileira e da soberania | Imagens reprodução


    Análise de dispositivos do ex-presidente expõe violações intencionais às restrições impostas pelo STF, intensificando investigações sobre coação e obstrução de Justiça



    Brasília, 18 de agosto de 2025

    A Polícia Federal (PF) concluiu a análise dos dados extraídos de dois celulares do ex-presidente Jair Bolsonaro, apreendidos nos últimos 30 dias em operações autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

    O primeiro aparelho, um Samsung Galaxy S24, foi confiscado em 18 de julho, durante a operação que determinou o uso de tornozeleira eletrônica.

    O segundo foi apreendido em 4 de agosto de 2025, quando Moraes decretou a prisão domiciliar de Bolsonaro por descumprimento de medidas cautelares.

    As informações extraídas revelam que o ex-presidente desrespeitava “de forma consciente e intencional” as restrições judiciais, ultrapassando deliberadamente os limites estabelecidos, conforme mostrou publicação de Lauro Jardim, em O Globo.

    Violações Deliberadas e Novas Evidências

    A perícia conduzida pela Diretoria de Inteligência Policial (DIP) da PF identificou comunicações que indicam a coordenação de Bolsonaro com aliados, incluindo seu filho, o senador Flávio Bolsonaro, para burlar as medidas impostas.

    Entre as evidências, estão mensagens e conteúdos que sugerem a produção de material para redes sociais, apesar da proibição expressa de uso dessas plataformas.

    Uma postagem de Flávio, posteriormente apagada, continha um vídeo de Bolsonaro discursando para apoiadores durante manifestação em Copacabana, no Rio de Janeiro, em 3 de agosto de 2025.

    “O flagrante desrespeito às medidas cautelares foi tão óbvio que o próprio filho do réu decidiu remover a postagem”, afirmou Moraes em sua decisão, conforme transcrito pelo g1.

    Além disso, a análise do primeiro celular revelou a existência de um pen drive escondido em um banheiro da residência de Bolsonaro, em Brasília, contendo uma cópia de uma petição da plataforma Rumble contra Moraes, indicando possível articulação para pressionar o STF no exterior.

    A PF também encontrou US$ 14 mil e R$ 8 mil em espécie, quantias que, segundo o ex-presidente, foram declaradas à Receita Federal, mas que levantaram suspeitas sobre sua origem e finalidade.

    Contexto das Investigações

    As operações que resultaram na apreensão dos celulares fazem parte de um inquérito que apura crimes como coação no curso do processo, obstrução à Justiça e ataque à soberania nacional.

    A Procuradoria-Geral da República (PGR) apontou o risco de fuga de Bolsonaro, o que justificou medidas mais severas, como o recolhimento domiciliar noturno e a proibição de contato com embaixadores, diplomatas e outros investigados.

    A análise dos celulares reforça a tese de que Bolsonaro buscava interferir em processos judiciais, incluindo a ação penal no STF que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado em 8 de janeiro de 2023.

    “Bolsonaro condicionou publicamente o fim das sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos à sua própria anistia”, destacou Moraes, conforme publicado pelo O Globo.

    Repercussão e Posicionamento da Defesa

    A defesa de Bolsonaro, representada pelos advogados Celso Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Tesser, contestou as medidas, alegando que o ex-presidente “não descumpriu qualquer determinação judicial” e que a prisão domiciliar representa uma “suprema humilhação”.

    Em nota, eles afirmaram que recorrerão da decisão, argumentando que a frase de Bolsonaro no vídeo de Flávio — “Boa tarde, Copacabana. Boa tarde, meu Brasil. Um abraço a todos. É pela nossa liberdade. Estamos juntos” — não configura crime ou violação. A manifestação foi publicada pela CNN Brasil.

    Implicações e Próximos Passos

    As revelações dos celulares intensificam a pressão sobre Bolsonaro, que enfrenta a possibilidade de condenação por cinco crimes, com penas que podem chegar a 43 anos de prisão.

    A PGR não solicitou prisão imediata, mas as evidências podem agravar sua situação jurídica.

    A PF continua a investigar possíveis articulações internacionais, especialmente após declarações do ex-presidente Donald Trump sobre tarifas de 50% contra produtos brasileiros, vistas pelo STF como tentativa de interferência no Judiciário.

    As medidas cautelares, incluindo a proibição de uso de redes sociais e o recolhimento domiciliar, visam conter a influência de Bolsonaro no debate político.

    Contudo, a análise dos celulares sugere que ele mantinha “influência ativa” por meios indiretos, desafiando as ordens judiciais.

    O caso segue sob sigilo parcial, mas Moraes retirou o sigilo de parte da decisão em 18 de julho.



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