Ao centro, Antonio Delfim Netto, ex-ministro da Fazenda, em foto de Eduardo Knapp para o Folhapress. O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, e LULA | Sobreposição de imagens
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PROGRESSISTAS POR UM BRASIL SOBERANO
Ex-ministro da Fazenda na ditadura, o político afirma que “os péssimos resultados do governo irão formar a convicção“
Ao Radar Econômico, da revista Veja, o ex-ministro da Fazenda [1967-1974] na ditadura do governo de Emílio Garrastazu Médici, afirmou que “o governo Bolsonaro acabou” e que a “inflação é gravíssima para desejos eleitorais do presidente“. Por esse motivo, o político é categórico ao prever que “os péssimos resultados do governo irão formar a convicção” de que “LULA será eleito!“
Delfim Netto, que também foi embaixador do Brasil na França 1974-1978], bem como ministro da Agricultura [1979] e do Planejamento [1979-1985], aponta que o principal problema do país envolve a falta de sentido:
“O Brasil não sabe onde está, tampouco para onde quer ir”, diz na entrevista à mídia que mais perseguiu LULA e o PT, demonstrando que a chance de mudar está ao alcance do eleitor. “LULA é um homem pragmático. Fez um bom governo porque as situações externas eram boas“, disse Delfim Netto.
Antes, ele afirmou que “LULA não tem nada de esquerda”. A declaração foi, decerto, uma tentativa de neutralizar a tática de proferições absurdas feitas pelo atual chefe do Executivo sobre comunismo, destruição da família e do patrimônio nacional.
Neste sentido as concepções de esquerda e direita precisam ser revistas. O que é melhor para um país, e sempre será, é sua soberania. Isso leva a uma discussão sem fim.
Netto conclui a frase prevendo “um governo tão pragmático quanto o primeiro”… e o segundo.
Mas “LULA“, afirma ele, “vai assumir um país destroçado. O LULA sempre foi respeitador da ordem financeira, nunca houve nenhum exagero do ponto de vista fiscal”.
Segundo Delfim, o gravíssimo problema da inflação tem impacto direto para a eleição do ano que vem:
“O Banco Central vai ter que elevar os juros e derrubar o nível de atividade, e as perspectivas do governo Bolsonaro já não são as melhores. Essa inflação concentrada nos combustíveis tem importância devastadora, principalmente entre os caminhoneiros. Há um desalento porque a situação é muito difícil”, disse.
Ele afirma que uma das soluções para o aumento da produtividade passa por uma reforma administrativa ampla:
“Era preciso uma boa reforma administrativa para por ordem no país. O que se gasta com classes privilegiadas que detêm o poder é absurdo“, sugere o ex-ministro da Fazenda.
“Algumas castas aproveitam-se do excedente. É necessário uma mudança administrativa bruta”, diz Delfim Netto deixando uma dica para LULA.
“O governo tem que enfrentar a si mesmo”, pontua.
Enquanto o governo Bolsonaro definha, todos procuram Lula na Europa, onde o ex-presidente se encontra para reuniões com vários líderes de setores progressistas dos mais importantes países do bloco.
“Feliz surpresa reencontrar hoje aqui em Berlim o companheiro negro Belchior [professor de História; Douglas] e a comitiva da Coalizão Negra [por Direitos #TemGenteComFome – Reunião de entidades do movimento negro de todo o país para a incidência política no Congresso Nacional e em fóruns internacionais]”, afirmou o ex-presidente em um tuíte.
LULA explicou que eles estão “na Europa pra participar da COP26 e de encontros na defesa dos direitos da população negra e quilombola do Brasil“.

RICARDO STUCKERT
