Apoiadores do réu no STF por tentativa de golpe de estado temem não convencer eleitores em 2026, tampouco o avanço do apoio aos representantes da democracia brasileira
Brasília, 10 de agosto de 2025
Nos últimos meses, um grupo de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro tem expressado a intenção de deixar o Brasil caso o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, permaneçam influentes no poder.
Essa movimentação ganhou força após medidas judiciais rigorosas, como a imposição de tornozeleira eletrônica a Bolsonaro e sanções da Lei Magnitsky aplicadas por Donald Trump contra Moraes, vistas pelos bolsonaristas como perseguição política.
A saída de aliados como Carla Zambelli, Eduardo Bolsonaro e Allan dos Santos para países como os Estados Unidos e a Itália reforça a narrativa de que a permanência no país seria arriscada para figuras ligadas ao ex-presidente.
A tensão escalou com atos realizados em 3 de agosto, em mais de 20 capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Belém, onde bolsonaristas protestaram contra Lula e Moraes, exigindo anistia para Bolsonaro e os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
Sem a presença do ex-presidente, que cumpre restrições judiciais em Brasília, figuras como Michelle Bolsonaro, que discursou em Belém, e o pastor Silas Malafaia, na Avenida Paulista, lideraram as manifestações, mas não são a mesma “coisa”.
Parlamentares do Partido Liberal (PL), como Nikolas Ferreira e Sóstenes Cavalcante, também intensificaram críticas ao STF, acusando-o de violar liberdades e ameaçando pressionar o Congresso por medidas como a PEC das monocráticas e anistia ampla.
A possível futura debandada de bolsonaristas para o exterior reflete o medo de prisões e processos judiciais.
Dos que já foram, Zambelli, condenada a dez anos por invasão ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), desafiou a Justiça ao afirmar que sua cidadania italiana a protegeria de extradição, mas ela está presa na Itália aguardando decisão sobre extradição.
Já Allan dos Santos, foragido desde 2020, e Paulo Figueiredo Filho, acusado de tentativa de golpe, também se estabeleceram nos EUA, onde continuam a articular contra Moraes e o governo brasileiro.
Essas saídas, segundo analistas, mostram a fragilidade da base bolsonarista, que enfrenta queda de apoio popular, com atos como o da Avenida Paulista reunindo apenas 12,4 mil pessoas em junho de 2025, contra 125 mil em fevereiro de 2024, segundo o Monitor do Debate Público do Meio Digital da USP.
Apesar do discurso de resistência, a estratégia bolsonarista enfrenta desafios. A tentativa de pressionar o STF e o Congresso com atos de rua e propostas legislativas, como a anistia defendida por Sóstenes Cavalcante, esbarra na resistência de líderes como Hugo Motta e Davi Alcolumbre.
A narrativa de “perseguição” também perde força diante do apoio de 55% dos brasileiros às medidas de Moraes, segundo pesquisa Datafolha.
Enquanto Bolsonaro permanece restrito em Brasília, a saída de aliados para o exterior e a redução de público nos protestos indicam um enfraquecimento do movimento, que agora aposta em articulações internacionais.
As eleições de 2026 estão próximas, mas a sensação de incerteza política e jurídica atormenta a oposição ao governo Lula, que tem ganhado força internacional por sua capacidade de gerir o País até mesmo diante de situações inusitadas.








