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Bolsonaristas dão “tiro no pé” e isolam-se politicamente ao atacar Hugo Motta em ato pró-anistia, diz Lindbergh Farias

    Líder do PT na Câmara critica estratégia de pressão e prevê fracasso do projeto de anistia aos condenados do 8 de Janeiro – SAIBA MAIS

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    Brasília, 6 de abril de 2025

    Em um contexto de intensas disputas políticas, o líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), usou sua conta no X neste domingo (6/abr) para comentar o ato promovido por Jair Bolsonaro (PL) na Avenida Paulista, em São Paulo, que defendeu a anistia aos condenados pelos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023.

    Os ataques ao presidente Hugo Mota foram um tiro no pé para os defensores do PL da anistia. Alguém acha mesmo que o presidente da Câmara vai pautar esse PL depois desses ataques? Claro que não. Agora é que ele não pauta mesmo. Seria se render a uma política de intimidação grosseira. Isso não vai acontecer. Ao apostar na “faca no pescoço” contra o parlamento, bolsonaristas optam pelo isolamento político”, escreveu Lindbergh em sua conta na plataforma social de microblog.

    Segundo Farias, os ataques verbais dirigidos ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), durante a manifestação foram um erro estratégico dos bolsonaristas, que, ao adotarem uma postura de intimidação, caminham para o isolamento político. Ele afirmou que a pressão não surtirá efeito e que Motta não cederá à pauta do projeto de lei (PL) da anistia.

    CONTEXTO DO ATO E OS ATAQUES A HUGO MOTTA

    O ato na Avenida Paulista, convocado por Jair Bolsonaro e apoiado por aliados como o pastor Silas Malafaia, reuniu cerca de 44,9 mil pessoas, segundo estimativas da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Cebrap e a ONG More in Common.

    A manifestação teve como objetivo principal pressionar pela aprovação do PL 2.858/2022, de autoria do deputado Major Vitor Hugo (PL-GO), que propõe anistiar participantes de manifestações entre 30 de outubro de 2022 e a eventual entrada em vigor da lei.

    O projeto é visto como uma tentativa de beneficiar não apenas os condenados pelos atos de 8 de janeiro, mas também o próprio Bolsonaro, réu por tentativa de golpe de Estado, segundo denúncias da Procuradoria-Geral da República (PGR).

    Durante o evento, Hugo Motta foi alvo de críticas por parte de bolsonaristas, que o acusam de não pautar o projeto em regime de urgência. O pastor Malafaia afirmou que Motta exerce influência sobre líderes partidários por controlar a distribuição de emendas parlamentares, sugerindo que ele estaria bloqueando o avanço da proposta.

    Lindbergh Farias, em sua postagem, classificou essas táticas como uma “política de intimidação grosseira” e questionou: “Alguém acha mesmo que o presidente da Câmara vai pautar esse PL depois desses ataques? Claro que não.”

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    A ESTRATÉGIA BOLSONARISTA E O ISOLAMENTO POLÍTICO

    Farias argumenta que a abordagem agressiva dos bolsonaristas, que ele descreve como uma tentativa de colocar uma “faca no pescoço” do Parlamento, terá o efeito oposto ao desejado. O líder petista reforçou que os ataques a Motta devem “sepultar” qualquer chance de o projeto ser colocado em votação.

    Ele destacou que o presidente da Câmara, conhecido por sua postura de evitar conflitos institucionais, não cederá à pressão, especialmente após ser alvo de “grosserias”.

    A análise de Farias encontra eco em outras movimentações políticas recentes. O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), recuou de apresentar um requerimento de urgência para o PL da anistia na semana anterior, após não conseguir o apoio necessário de líderes partidários.

    Esse recuo foi interpretado por Farias como uma fragilização da tese da anistia, reforçando sua visão de que a estratégia bolsonarista está fadada ao fracasso.

    REAÇÕES E IMPLICAÇÕES PARA A CÂMARA

    A proposta de anistia tem gerado intensos debates na Câmara. Um total de 190 deputados são favoráveis à proposta, 126 são contrários e 104 preferem não se manifestar, com 93 ainda sem resposta. Apesar do número significativo de apoiadores, a falta de consenso entre lideranças partidárias e a resistência de partidos de centro, como MDB e PP, dificultam a tramitação do projeto.

    Farias tem argumentado que aprovar a anistia seria uma interferência indevida no Poder Judiciário, criando uma crise institucional. Além disso, o ato bolsonarista ocorre em um momento delicado, após a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) tornar Bolsonaro e outros sete aliados réus por tentativa de golpe.

    Farias considera a proposta inconstitucional, pois violaria a independência entre os Poderes, prevista no artigo 2º da Constituição. Ele também alertou que a pressão bolsonarista não apenas falha em avançar a pauta, mas prejudica a própria imagem do grupo no Congresso.

    O FUTURO DO PL DA ANISTIA

    Com a resistência de Hugo Motta e a falta de apoio consolidado, o projeto de anistia enfrenta um cenário de incerteza. A estratégia de obstrução legislativa, adotada pela oposição para pressionar a votação do PL, também não obteve sucesso significativo.

    Farias celebrou a aprovação de medidas prioritárias do governo Lula, como a Medida Provisória que isenta do Imposto de Renda quem ganha até R$ 5 mil, apesar das tentativas de obstrução.

    Para analistas políticos, a polarização em torno do tema da anistia reflete um embate maior entre os defensores de Bolsonaro e as forças que buscam consolidar a responsabilização pelos atos de 8 de janeiro. Enquanto os bolsonaristas apostam em mobilizações de rua para pressionar o Congresso, líderes como Lindbergh Farias apostam na articulação política e no desgaste da oposição para barrar a proposta.

    Na leitura estratégica do petista neste momento político, os ataques a Hugo Motta, longe de fortalecer a causa da anistia, podem ter consolidado a resistência contra o projeto. Com a Câmara dividida e o STF avançando nas investigações sobre o 8 de janeiro, o futuro do PL da anistia permanece incerto. A postura de Farias sugere confiança de que a base governista, aliada a partidos de centro, conseguirá evitar o avanço da proposta, mantendo o foco na defesa das instituições democráticas.

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