Bolsonarismo: o uso do “politicamente correto” por conveniência

20/02/2020 Off Por Adriana Farias

O atual governo presidencial e seus apoiadores dizem que chegaram ao poder cantando a bola da democracia. Vide ataques à jornalista que denunciou o crime das fake news e agora os bolsonaristas usam o discurso do “coitado do negro e pobre que falou umas verdades para a jornalista ‘puta’ branca e rica que usou de ‘assédio para dar o furo’.”

Eles têm o dom de “jogar” com as expressões quando querem se beneficiar delas. São misóginos, hipócritas e usam do “politicamente correto” por conveniência! Não há democracia sem oposição. Não há governo sem oposição. Não há jornalistas que só falem bem do presidente. Portanto afirmar que não governa o país porque a oposição não deixa ou porque jornalista mente é a desculpa mais falsa e hipócrita que um presidente poderia usar.

Você não existira sem o seu contraditório. Você teve o direito de discordar do governo petista. Eu tenho o direito de discordar do governo do Bolsonaro. Eu tenho o direito de discordar da Damares; do Moro; do Weintraub; de qualquer ministro insano que participe desse governo. Você afirma que exerceu o seu direito de ir às ruas pedir o impeachment da Dilma. Eu exerço o meu direito de manifestar e criticar o que foge daquilo que considero constitucional.

Dilma foi chamada de “puta”; “louca”; “comunista” mesmo enquanto ela era a Presidente da República. Bolsonaro, enquanto deputado federal, disse que no Brasil não tinha pena de morte. E que ele apoiava milicianos. Acompanhe a fala:

Quero dizer aos companheiros da Bahia — há pouco ouvi um parlamentar criticar os grupos de extermínio — que enquanto o Estado não tiver coragem de adotar a pena de morte, o crime de extermínio, no meu entender, será muito bem-vindo. Se não houver espaço para ele na Bahia, pode ir para o Rio de Janeiro. Se depender de mim, terão todo o meu apoio, porque no meu estado só as pessoas inocentes são dizimadas. Na Bahia, pelas informações que tenho — lógico que são grupos ilegais —, a marginalidade tem decrescido. Meus parabéns”!”

Ele poderia ter sido penalizado com a Lei de Segurança Nacional quando disse ser favorável aos grupos de extermínio e que tinha conhecimento que eram grupos ilegais. O presidente do país, à época, era o Lula, que em seu discurso de novembro de 2019 baseado no discurso do próprio Bolsonaro, afirmou que o mesmo estaria governando para milicianos. O mesmo que Bolsonaro disse apoiar!

Moro, mais que depressa, articulou a acusação de crime contra a segurança nacional por se tratar de calúnia e difamação! Caluniar ou difamar é dizer inverdades sobre alguém! Mas Bolsonaro se diz apoiador de grupos de extermínio! Se tem alguém ameaçando a segurança nacional, esse não é o Lula!

Queria entender onde há a calúnia se o atual presidente fez essa afirmação em púlpito, na Câmara dos Deputados. Se os apoiadores/simpatizantes de Bolsonaro o elegeram por dizer o que bem entende, não compreendo porque o adversário não pode dizer o que bem entenda. E se nesta ocasião o orador pode ser criminalizado, por que naquela ocasião o orador não configuraria crime contra a segurança nacional?

A lei não é para todos, mas para os inimigos do “rei”. 

Telegram: Acesse e SIGA NOSSO CANAL

Comente com o Face ou utilize a outra seção abaixo. Os comentários são de responsabilidade do autor e não têm vínculo com a publicação. Mantenha um bom nível de discussão, do contrário reservamo-nos o direito de banir seus perfis.